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Atualizado às: 09 de outubro, 2006 - 15h22 GMT (13h22 Brasília)
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'Harmonizador', Ban Ki-moon quer reforma da ONU
Ban Ki-moon
Ban Ki-moon se vê como "harmonizador" e "mediador"
As principais credenciais do ministro das Relações Exteriores da Coréia do Sul, Ban Ki-moon, para suceder Kofi Annan como secretário-geral das Nações Unidas são, de acordo com os seus apoiadores, suas habilidades como mediador completo e administrador de primeira linha.

As maiores potências mundiais parecem concordar, deixando de lado a preocupação de que ele possa ser discreto demais ou pouco carismático para liderar em tempos difíceis.

Nas suas palavras, Ban se enxerga como “harmonizador" e "mediador”.

Durante o longo processo de seleção, ele falou bastante sobre a reforma da ONU – como a organização deve prometer menos e entregar mais.

Mas Ban dá poucas informações sobre detalhes da reforma – o que, segundo alguns analistas, foi uma atitude deliberada para não pisar em calos enquanto sua candidatura avança.

Essa estratégia, para alguns, foi desenvolvida ao longo das negociações duras e ousadas com a Coréia do Norte sobre o desenvolvimento de armas nucleares daquele país.

E é um plano que aparentemente deu certo – o homem que era a segunda escolha da maioria está vencendo por consenso o cargo que Kofi Annan chama de “o trabalho mais impossível do mundo”.

Ataques de 11 de setembro
Ban teve papel na ONU após os ataques de 11 de setembro

Apoio da China

O correspondente da BBC em Seul Charles Scanlon diz que Ban deve manter seu estilo de formador de consensos na ONU – evitando controvérsia e favorecendo a negociação em salas fechadas, em vez de gestos públicos grandiosos.

Mas, segundo o correspondente, desde que Ban se tornou ministro das Relações Exteriores em janeiro de 2004, a Coréia do Sul se isolou, com sua diplomacia desarrumada, e isso tem aumentado as dúvidas sobre a força de sua liderança e sua abilidade para se impor aos Estados Unidos.

Outros analistas apontam para o apoio recebido por Ban da China – com quem ele manteve muitas negociações duras – e sugerem que Pequim vêem nele uma possibilidade de balancear a influência dos Estados Unidos.

O próprio Ban já avisou: “posso parecer mole por fora, mas eu tenho força interior quando é realmente necessário”.

Ban afirma que recebe sua confiança da história recente da Coréia do Sul.

“Nós, coreanos, nos levantamos literalmente das cinzas da guerra”, disse ele.

“Fizemos isso através de trabalho duro, comprometimento, dedicação e ajuda de amigos, particularmente as Nações Unidas. Agora, estamos prontos para pagar de volta o que devemos.”

Pessoa protesta com cartaz
Coréia do Sul é criticada por indefinição sobre direitos humanos

Al-Qaeda

Ban tem uma ligação de longa data com as Nações Unidas, desde o tempo em que era integrante da equipe da divisão da ONU no escritório sul-coreano, em 1975.

Ele trabalhou como diretor da comissão preparatória para o Comitê Preparatório da Organização para a Proibição Total de Teste Nucleares (CTBTO), em 1999, enquanto era embaixador da Coréia do Sul na Áustria.

Ele também teve papel importante no centro da presidência sul-coreana da 56ª Assembléia Geral.

A Assembléia foi inaugurada em 12 de setembro de 2001, um dia após os ataques da Al-Qaeda nos Estados Unidos.

Como chefe de gabinete do presidente, sua primeira tarefa foi acelerar a adoção da primeira resolução da Assembléia, de condenação aos ataques.

Ban supervisionou mudanças de procedimento, segundo o governo coreano, que permitiram que as sessões prosseguissem rapidamente em um tempo de crise.

Direitos humanos

Ban Ki-moon nasceu na cidade de Chungju, na província de Chungcheong, no dia 13 de junho de 1944.

Ele se formou no departamento de Relações Internacionais da Universidade de Seul, em 1970, e depois trabalhou na missão sul-coreana das Nações Unidas em Nova York.

Ban se tornou assessor de segurança do presidente em 1996 e assumiu o cargo de vice ministro em 2000.

Ele tem desempenhado papel importante nas conversas entre os seis países que discutem o programa nuclear da Coréia do Norte. Mas durante seu expediente como ministro das Relações Exteriores, seu país também foi criticado por sua postura pouco clara sobre o histórico de direitos humanos na Coréia do Norte.

Ban é casado com Yoo Soon-taek, que ele conheceu em 1962, quando ainda era colegial. Eles têm um filho e duas filhas.

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