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Apreensão marca apoio de Brasil a Chávez na ONU | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Apesar de apoiar abertamente a candidatura da Venezuela a uma vaga rotativa do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil vê com apreensão a eventual atuação da representação de Hugo Chávez no fórum. "A Venezuela de Chávez tem uma exuberância retórica e isto certamente chegaria aos debates do Conselho", disse à BBC Brasil um diplomata brasileiro que pediu anonimato. Segundo ele, o Itamaraty antecipa que a presença da Venezuela no Conselho de Segurança certamente aumentará o nível de turbulência entre os governos Chávez e Bush – e que isso possa afetar toda a região. Se a Venezuela se eleger, no caso de questões consideradas críticas pelo Brasil, como o Oriente Médio e as que dizem respeito à proliferação nuclear, a Missão Brasileira na ONU acompanharia de perto a atuação do governo de Caracas no CS, solicitando a realização de consultas intensivas junto ao governo brasileiro antes do fechamento de qualquer posição. Durante seu discurso de quarta-feira na Assembléia Geral da ONU, Chávez deu uma amostra de até onde pode chegar sua retórica, chamando o presidente George Bush de "diabo" e acusando os Estados Unidos de terem lançado um "ataque imoral" para impedir que a Venezuela se eleja para o CS. Presente ao encontro, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que não comentaria especificamente sobre o discurso de Chávez, uma vez que não tinha "lido" o pronunciamento. Mas Amorim, disse que o apoio de Brasília à Venezuela "não quer dizer concordância com todos os pontos de vista que o país possa ter, muito menos com os adjetivos que venham a ser usados em discursos". Ele acrescentou que "mais de uma vez nós – o presidente Lula e eu – tivemos a ocasião de falar com o presidente Chávez no sentido de moderar o discurso, porque nós achamos que é preciso que haja um diálogo (entre os EUA e a Venezuela)". De qualquer forma, Amorim reafirmou o apoio da candidatura venezuelana pelo Brasil, que classificou de "natural". "A Venezuela é um país que tem sido amigo do Brasil, com o qual trabalhamos bem. Nosso comércio hoje com a Venezuela – não quero dar uma versão mercantilista da política – acho que mais do que quadruplicou nos últimos três ou quatro anos, nossas exportações, sobretudo", disse. Agenda geo-política Do ponto de vista geo-político, segundo diplomatas brasileiros que pediram para não serem identificados, o apoio brasileiro a Caracas se explica pelo fato de que a Venezuela é um aliado tradicional do Brasil. A Venezuela votou no Brasil para sua última eleição para membro rotativo do CS em 2003, e também apoiou a campanha brasileira por uma vaga permanente no Conselho no ano passado. Além disso, a Venezuela acaba de entrar para o Mercosul e os governos Lula e Chávez têm planos para construir um gasoduto na Amazônia. Finalmente, agora teria chegado a vez da Venezuela voltar ao CS, já que seu último mandato da instituição foi entre 1992 e 1993. Na ausência de um candidato único da região das Américas para ocupar o mandato de 2007-2008 no CS, a Venezuela enfrentará a Guatemala, candidata dos EUA, numa eleição marcada para o próximo dia 16 de outubro. Ao que tudo indica, devido à impopularidade de Bush na comunidade internacional e ao anti-americanismo, a Venezuela hoje desponta como favorita na disputa. Nas Américas, a Venezuela conta com o apoio do Brasil, a exemplo dos demais membros do Mercosul – Argentina, Paraguai e Uruguai – e de Cuba, além dos países da Liga Árabe e de boa parte dos membros da União Africana. Já o ministro das Relações Exteriores do Chile, Alejandro Foxley, diz que seu país só revelará seu voto na véspera da eleição. A candidatura venezuelana também é apoiada pela China e a Rússia, dois membros permanentes do CS, e pelo Irã. O Departamento de Estado americano defende a Guatemala como um país "responsável" e diz que a presença da Venezuela no Conselho poderia ser "desestabilizadora". Nas Américas, além dos votos dos Estados Unidos, a Guatemala conta com o apoio do México, Colômbia, Peru e de vários estados da América Central e do Caribe. Recentemente, o chanceler guatemalteco, Gert Rosenthal, disse que seu país tem "uma política externa independente". "Não somos candidatos de ninguém, exceto de nós mesmos." Para se eleger, um país necessita obter pelo menos dois terços, 128 votos, dos 192 países membros das Nações Unidas. |
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