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Ivan Lessa: O metrossexual é mito ou gostosa realidade? | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Estou há tempos querendo saber duas coisas: primeiro, o que quer dizer essa palavra que entrou em moda na língua inglesa do Reino Unido e dos Estados Unidos? “Metrosexual”. Com um S em inglês, e, se chegou aí, além de tomar cuidado, não deixem de grafar com dois S: metrossexual. Fica mais aclimatado, de sunguinha justa, agora que o verão brasileiro vem dobrando a esquina. Eu achava que tinha passado de moda, agora, semana passada, uma nota de jornal dá conta de que o ex-líder do partido trabalhista australiano, Mark Lathan, um homem de briga, quebrou o braço de um chofer de táxi disputando o preço de uma corrida. Mark Lathan acaba de escrever um livro onde, conforme uma colunista britânica, destaca um trecho para levantar uma ou outra questão. Atenção para o trecho autobiográfico do político australiano, que fiz questão de traduzir em equivalente brasileiro o mais coloquial possível: “Esses caras legais australianos, ficaram todos uns pandarecos, caindo de nervosos, com essa história de 'metrossexual'. Em vez de darmos os verdadeiros nomes aos bois, nosso papo agora vem repleto de hipocrisias, de eufemismos, de falsos bons modos.” Tim-tim por Tom-tom Vamos dar uma chegadinha a esse metrossexual, conforme empregado (não, não é copeiro) pelo líder antípoda. Metrossexual, assim como pós-irônico e desconstruir – estão lembrados? – passou como um bólido avassalador pela linguajar diário do Reino Unido e já está procurando a saída dos fundos -- à francesa, sem sequer se despedir. Se dermos uma boa espiada no metrossexual, seus jeitos e trejeitos, veremos que nada mais é do que um antônimo para heterossexual. Quer dizer, machão, homão até debaixo d'água, uma vez que ainda não se registrou, em qualquer papo ou publicação, uma única referência a uma senhora ou senhorita metrossexual. E o que faz o metro no meio da história? Nada a ver com o tamanho de nada. Apenas uma referência à região metropolitana, onde vamos – ou vão eles – encontrar, no agito dos centros comerciais, das lojas, daquele consumismo desenfreado, o cidadão em busca de sua identidade mediante o que compra e leva para casa, para não falar em seu passinho e o modo de carregar os embrulhos. Não teve essa série de TV, sucesso no mundo inteiro? “Sexo na cidade”? Isso aí. Pensem agora na mesma proposta, só que com homens. São os metrossexuais a metrossexualizar-se em comum numa festa de espuma de xampú. Assumindo Metrossexual é, pois, uma forma superior de se dizer gay. O que me parece grossa besteira. Gay já foi aceita, tem dia, bandeira e parada, no mundo inteiro. Não há demérito nenhum em gay. Metrossexual é que constitui pejorativo. Traz o perfume inconfundível do narcisismo. Do indivíduo morrendo de amores não só por si mesmo, peladão e besuntado de óleo diante do espelho, mas, ainda por cima, apaixonado por seu estilo de vida: suas boutiques, seus ginásios de malhação, seus clubes noturnos e diurnos, seus cabeleireiros (barbeiros? Nunquinhas) e, além do mais, tocando mais, muito mais do que o estritamente necessário, em sua porção feminina. Resumindo, e em hipótese alguma ofensiva, metrossexual é frescura. Passemos a nosso próximo programa. |
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