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Atualizado às: 17 de setembro, 2006 - 20h42 GMT (17h42 Brasília)
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Plano de reforma do FMI 'desaponta', diz Mantega

Mantega e a ministra da Economia da Argentina, Felisa Micelli
Mantega e sua colega argentina, que também se opõe à reforma.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse neste domingo que o Brasil ficou "extremamente desapontado" com o plano de reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), que será votado até amanhã.

"Ficamos frustrados a ponto de não podermos endossar aqueles termos, e ter que votar contra a aprovação da resolução", disse Mantega, em entrevista com jornalistas brasileiros em Cingapura.

O ministro falou após uma reunião do Comitê Monetário e Financeiro Internacional, que faz parte dos encontros paralelos à reunião anual do Fundo.

O Brasil endossou uma crítica feita também por Índia, Argentina e Egito ao projeto de reforma para ampliar a voz dos países emergentes na instituição.

Junto com um grupo de nações que inclui outras sul-americanas, o Brasil quer discutir a ampliação imediatamente.

Pelo projeto atual, apenas China, Coréia do Sul, da Turquia e México terão suas cotas elevadas imediatamente. Seria necessária outra discussão para decidir novos aumentos.

"(O projeto) poderá terminar por aumentar ainda mais a já ampla maioria detida pelas economias avançadas, e elevar a participação de um pequeno grupo de países emergentes, em detrimento da participação de outros países em desenvolvimento", disse o ministro.

Reforma

Para ser aprovada, a proposta de reforma em duas etapas precisa obter 85% dos votos dos 184 integrantes do FMI.

A votação será concluída na segunda-feira, e os resultados serão anunciados em seguida.

A reforma no sistema de cotas do FMI vem sendo alardeada como um dos grandes temas a dominar a reunião anual do Fundo, na terça e quarta-feira.

Hoje, o peso dos votos de cada país no FMI é determinado por sua cota ou compromisso financeiro com o Fundo. Os Estados Unidos têm cerca de 17% do total de votos, o Japão conta com 6,1% e a Argentina com 0,99%.

A Índia, o Brasil, a Argentina e o Egito têm, juntos, apenas 3,78% do total de votos.

Os países emergentes querem mais voz no FMI porque consideram que o atual sistema lhes dá pouco poder de convencimento em relação às economias mais avançadas do globo.

 O fato de termos desenvolvido um relacionamento intenso, franco e frutífero com o Fundo em quase sete anos de programa, de 1998 ate 2005, torna ainda mais desanimador imaginar que podemos acabar não sendo bem-sucedidos na tentativa de alcançar uma solução aceitável para a questão.
Guido Mantega, ministro da Fazenda

No entanto, grande parte dos desequilíbrios mundiais – déficit comercial e ameaça de inflação, por exemplo – está nessas economias.

Mantega defendeu uma reforma que mantenha como alicerce o tamanho da economia, mas que "impeça que as já expressivas quotas das maiores economias avençadas aumentem ainda mais".

Para o ministro, dar mais voz a países emergentes é "imperativo" para extrair lições práticas a partir da perspectiva dos países que experimentaram na prática as políticas do Fundo.

Em tom de brincadeira, o ministro brasileiro afirmou que, sem uma reestruturação profunda, o FMI (cuja sigla é IMF em inglês) corre o risco de passar a significar "I’m finished" (algo como "Acabei").

"(O diretor-gerente do FMI, Rodrigo) Rato acha que com a reforma a instituição está avançando e vai ter melhor estrutura", disse Mantega. "Mas eu acho que a instituição tem de se atualizar para os novos tempos."

Mantega destacou, no entanto, que os países cuja participação no FMI será aumentada merecem tal medida.

"Nosso problema é com a indefinição que envolve a segunda etapa da reforma, que, juntamente com sinais que apontam na direção errada, aumentou nosso ceticismo quanto à viabilidade de se alcançar um resultado minimamente razoável ao final do processo."

Divisão

O ministro indicou que a divisão entre os dirigentes do FMI e os países de economia emergentes poderá acabar criando um fórum novo de nações.

China, Índia, Brasil e África do Sul já discutiram uma possível participação no G8, o grupo de sete países mais ricos do mundo e a Rússia.

"Somos convidados para o café da manhã (do G8), mas não para o almoço", declarou o ministro. "O G8 nos convida a participar, mas não nos deixa participar das reuniões."

Ele mencionou que durante a reunião do G20 em novembro na Austrália, os representantes do Brasil, África do Sul, China e Índia irão "articular uma agenda", com reuniões periódicas inicialmente previstas para cada seis meses.

"Temos peso. Representamos quase metade da economia mundial. Tem questões globais que precisam ser discutidas por todos os protagonistas e não apenas alguns."

Rodrigo Rato, diretor do FMICrescimento
Para diretor do FMI, economia global passa por testes.
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