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Conflito no Líbano afetou pouco a economia de Israel | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A insistência do presidente do Banco Central israelense, Stanley Fischer, de que a economia do país sairá relativamente sem arranhões do atual conflito contrasta profundamente com o enorme prejuízo que vem sendo infligido à do Líbano. “Há danos à economia (de Israel)”, ele admite. Mas prevê que a queda na taxa de crescimento será de “menos de um ponto percentual”. A expansão neste ano seria de 4,5%, menor que a de 5,2% registrada no ano passado, e bem abaixo de previsões anteriores, que apontavam 5,5%. Mas a mensagem é que Israel segue bem – diferentemente do Líbano, onde os prejuízos causados até o momento alcançam US$ 2 bilhões (cerca de R$ 4,4 bilhões), de acordo com estimativas do ministro dos Transportes e Obras Públicas. Esta é uma despesa que atinge fortemente o país, pois, antes do confito, o Líbano ainda se recuperava de uma guerra civil que durou de 1975 a 1989. Indústria A grosso modo, a economia israelense, de US$ 130 bilhões (US$ 286 bilhões), está se segurando, enquanto a do Líbano foi, nas palavras do primeiro-ministro Fouad Siniora, “despedaçada”. Mas Israel está sentindo os sintomas em algumas áreas. A produção industrial está em queda desde o início da guerra. Algumas fábricas foram fechadas provisoriamente. A fabricante de celulares Motorola advertiu que sua planta em Israel terá de passar por interrupções. “Também vendemos nossos produtos e serviços em todo o Oriente Médio, e a demanda por eles pode sofrer impacto negativo por conta das hostilidades”, disse a empresa em comunicado. A indústria de turismo do país começou a se ressentir desde a escalada de violência, e piorou desde então. Desde o início da guerra, o turismo caiu 20% em Israel. E muitos turistas que planejavam viajar ao país durante a alta estação não devem aparecer. Mas a indústria não está demonstrando sinais de pânico, principalmente porque o governo anunciou que pretende compensar as perdas econômicas dos setores. Mercado Mas o panorama sombrio não é universal. A moeda, o shekel novo, permanece forte, recuperando-se depois da alta nos juros na semana passada, e o mercado de ações atingiu novamente o nível em que estava antes do conflito.
Os negócios – incluindo as grandes fusões e aquisições – continuam sendo feitos, e investidores estrangeiros continuam de olho em Israel. Tradicionalmente, operadores tanto do mercado de câmbio quanto de ações costumavam se retrair nos tempos de crise. O fato de que eles não saíram em manada desta vez indica que eles acreditam na solidez dos fundamentos da economia israelense. “Depois de entender que Israel manteria suas políticas macroeconômicas, os mercados começaram a retomar seus níveis anteriores”, disse Fischer nesta semana. Incertezas Israel está confiante em que poderá arcar confortavelmente com os custos da guerra. O problema é que os gastos militares extras, junto com uma queda na arrecadação de impostos sobre o comércio em virtude da menor atividade econômica – particularmente no norte do país, mais afetado pelos bombardeios –, poderiam ameaçar a recuperação da economia. Mas o Banco Central de Israel estima que as despesas bélicas aumentarão em apenas 0,6 ponto percentual o déficit orçamentário. Fischer acredita que o país cumprirá sua meta de 2% de déficit orçamentário para 2007. O efeito total dos gastos extras e da queda na arrecadação será uma diminuição de 2% na atividade industrial em relação ao ano passado. Outra ameaça será a inflação.
“Em vista desses eventos, espera-se que a inflação no curto prazo aumente”, disse Fischer. “Ao conduzir a política monetária nos próximos meses, o Banco de Israel precisará levar em conta tanto uma possível alta na inflação quanto uma provável redução na atividade.” Este não é o tipo de linguagem empregado por alguém que gerencia uma economia em crise, e de fato Israel permanece em boa forma até aqui. Mas as projeções futuras dependem de um acordo de paz em breve, pois as forças que regem a economia israelense não podem se dar ao luxo de ser tão complacentes por muito tempo. |
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