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Atualizado às: 01 de agosto, 2006 - 18h01 GMT (15h01 Brasília)
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Libaneses esvaziam ruas e se escondem em porões

Bombardeio que matou 54 civis esvaziou ruas de Qana
Bombardeio que matou 54 civis esvaziou ruas de Qana
As ruas da cidade de Qana, no sul do Líbano, estão completamente desertas.

Foi ali que no último domingo um bombardeio israelense matou 54 civis, sendo 34 deles crianças, que tentavam se proteger no subsolo de um prédio. O ataque provocou indignação ao redor do mundo.

Um morador da cidade disse que dos 8 mil habitantes do local, cerca de mil pessoas ainda permanecem na cidade, embora não haja como confirmar a informação de maneira precisa ou independente.

Ele explicou que “quase todo mundo que ainda está em Qana foi se esconder nos porões”, apesar de as mortes do fim de semana terem mostrado que essa não chega a ser uma proteção eficiente contra os ataques de Israel.

Um carregamento de ajuda humanitária enviado pela Organização das Nações Unidas (ONU) conseguiu chegar nesta terça-feira à cidade protegido por soldados franceses integrantes da Força Interina da ONU no Líbano (Unifil, na sigla em inglês).

Destruição

A casa bombardeada no domingo atraiu a atenção mundial e aumentou a pressão sobre Israel e os Estados Unidos por um cessar-fogo, mas o prédio está longe de ter sido o único atacado no município.

Em quase todas as ruas, há pequenos prédios, lojas e casas completamente destruídos. Maior ainda é o número de portas de aço de lojas deformadas pelas ondas de choque que não foram fortes o suficiente para trazer toda a construção a baixo.

A cidade já tinha outra tragédia para contar ocorrida há dez anos, quando israelenses em combate com o Hezbollah acertaram uma base da ONU que abrigava refugiados da operação “Vinha da Ira”, outra ação de Israel para tentar enfraquecer o grupo xiita. Mais de cem civis morreram e quase 120 ficaram feridos naquela ocasião.

Um repórter libanês da BBC contou que desde então a cidade passou a ser um ponto de parada para turistas que freqüentam a costa sul do Líbano – distantes cerca de 20 quilômetros desta vila nas montanhas – para “ver onde o massacre aconteceu”.

Sul

Durante as primeiras duas semanas deste conflito as cidades do sul do Líbano ao redor de Tiro – Qana e Nabatiye, por exemplo – ficaram entre as mais atacadas pelas forças israelenses, por serem consideradas importantes bases do Hezbollah.

Mas agora que Israel abriu outras frentes de combate ao longo da fronteira libanesa e dá sinais de se preparar para uma ofensiva mais forte por terra, as ações e bombardeios nesta região diminuíram sensivelmente nas últimas 48 horas.

Bandeiras verde e amarelas do grupo militante e grandes fotos do líder, Hassan Nasralah – comumente ao lado do aliado e presidente do parlamento libanês, Nabil Berrih - continuam espalhadas por todos os lados, mas agora com pouca gente para vê-las.

O diretor do hospital público de Nabatiye, Hassan Osny, diz que tem apenas 30 pacientes em seu hospital apesar de contar com capacidade para tratar de até cem pessoas.

“Tivemos muitos feridos aqui, mas nós fazemos o tratamento de emergência e depois encaminhamos as pessoas para áreas mais tranquilas como (a cidade costeira de) Sidon e (a capital) Beirute”, diz.

O médico comenta também que dos 80 pacientes que costumavam fazer tratamento diário de diálise no hospital, apenas 45 continuam aparecendo e que não há informações precisas sobre os demais.

Fuga

O médico calcula de de 75% a 80% da população de Nabatya já deixou a área e explica que ele mesmo não vai embora “porque tem pacientes para tratar e gente que precisa de ajuda.”

“Nós médicos fizemos o juramento de Hipócrates e não podemos abandonar uma situação assim”, diz.

E se não fosse pela profissão? “Sim, já teria ido embora daqui. Tenho medo, como todo mundo”, diz.

“Casa resistente”

Entre os moradores que ficaram em Nabatiye está Ahmad Humenia, de 67 anos, que diz que guerras anteriores já mostraram que a casa dele é resistente.

Humenia mostrou três remendos nas paredes da frente da casa, que segundo ele, foram feitos para consertar estragos provocados por ataques israelenses na invasão de 1982.

“Em 1996 (na operação Vinhas da Ira), minha casa foi atingida também por um míssil na parte de cima, mas continua de pé”, afirma

Ele diz que por enquanto sua família não sofre com falta de comida porque “morando no campo e com os israelenses sempre aí do lado” estão preparados para estas emergência.

“Temos arroz, açúcar, vegetais, mel e outras coisas aqui estocadas mas coisas como carne e leite já não temos mais”, diz.

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