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Atualizado às: 31 de julho, 2006 - 10h22 GMT (07h22 Brasília)
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Qana reacende debate diplomático sobre cessar-fogo

Casa em ruínas na cidade de Qana
A maioria dos mortos no bombardeio eram crianças
O bombardeio em Qana aumentou a necessidade de urgência nas negociações diplomáticas envolvendo o conflito no Oriente Médio, o que colocou mais pressão nos Estados Unidos para que um cessar-fogo seja pedido em breve.

A suspensão dos ataques aéreos no sul do Líbano por 48 horas é um sinal de que Israel está na defensiva.

Se a diplomacia andar rapidamente, a suspensão pode se transformar num cessar-fogo.

No entanto, ainda não chegamos lá. Há uma longa distância entre aqueles (França e outros) que querem um cessar-fogo "imediato" e os Estados Unidos e Reino Unido, que pedem um cessar-fogo "urgente", "sustentável" ou "assim que possível".

A declaração da reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas no domingo não usou a palavra "imediato" por pressão dos americanos.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, introduziu um novo tom na discussão, mais severo e usando pressão moral, nesse encontro.

"Há novas provas de que ambos (os lados) cometeram graves infrações das leis humanitárias internacionais", disse ele.

Isso é uma referência, em relação a Israel, ao princípio da proporcionalidade e ao bombardeio de prédios e estruturas usados ou próximos de áreas usadas por civis.

As Convenções de Genebra permitem ataques em tais lugares apenas se os civis representarem uma contribuição militar "efetiva" aos inimigos.

Em relação ao Hezbollah, o grupo tem lançado foguetes indiscriminadamente contra áreas civis, além de usar civis como proteção.

A questão agora é se os Estados Unidos darão a Israel os "10 a 14 dias" a mais, pedidos pelo primeiro-ministro de Israel à secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.

Os Estados Unidos poderiam, se quisessem, aceitar, ou ao menos não vetar, uma resolução do Conselho de Segurança pedindo um cessar-fogo imediato.

Isso requer a aceitação dos Estados membros. Muitos países querem essa ordem o mais rápido possível, mesmo que os problemas fundamentais sejam deixados para depois.

Cessar-fogo "sustentável"

O raciocínio dos Estados Unidos tem sido de que qualquer resolução deve ser sustentável e, portanto, deve haver um acordo antes sobre as questões fundamentais do conflito.

Isso diz respeito ao desmantelamento da milícia Hezbollah, o envio de uma força internacional e uma possível extensão da autoridade do governo libanês.

Condoleezza Rice foi informada de que o governo do Líbano como um todo, incluindo o Hezbollah, havia aprovado um plano que fazia referência, em princípio, a esses pontos.

Mas essa diplomacia passo a passo foi completamente desordenada pelos eventos em Qana.

Rice teve de cancelar sua visita ao Líbano (depois que o primeiro-ministro Siniora disse que apenas um cessar-fogo imediato poderia ser discutido), durante o qual ela continuaria tentando chegar a um acordo.

O clamor sobre o bombardeio se tornou tão grande e os pedidos por um cessar-fogo, tão insistentes, que Rice deu a entender em Jerusalém que uma resolução de cessar-fogo da ONU pode ter de ser apressada, apesar de ela ainda não estar fazendo o pedido diretamente.

Há rumores de que uma resolução será enviada ao Conselho até quarta ou pelo menos até o fim da semana.

"Queremos que o Conselho de Segurança considere isso em breve e queremos que isso aconteça com o máximo de progresso concreto em direção a um cessar-fogo real quanto seja humanamente possível até o momento em que a reunião aconteça", disse ela.

"Fim das hostilidades"

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que se alinhou aos Estados Unidos, também está falando com um novo senso de urgência.

"Essa é uma situação que simplesmente não pode continuar", ele disse em São Francisco.

No entanto, ele afirmou também que as negociações que estão sendo feitas devem levar ao "verdadeiro fim das hostilidades", logo ainda há uma diferença entre esse objetivo e um cessar-fogo imediato.

Algum tipo de acordo intermediário terá de ser alcançado.

O embaixador britânico para a ONU, Emyr Jones Parry, falou de uma resolução "incorporando o fim imediato das hostilidades e uma base política para que a crise seja resolvida a longo prazo.

Não há razão por que uma resolução como essa não possa ser introduzida rapidamente e adotada com urgência".

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