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Atualizado às: 01 de agosto, 2006 - 10h24 GMT (07h24 Brasília)
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Baalbek sofre com ataques, mas Hezbollah resiste por lá

Ruínas de Baalbek
Baalbek abriga algumas das ruínas romanas mais bonitas do mundo
Apesar de Israel afirmar que está suspendendo temporariamente os bombardeios aéreos contra o Líbano para que a tragédia de Qana seja investigada, o som de aviões não-tripulados cruzando os céus não parou na cidade de Baalbek na segunda-feira.

Baalbek, que abriga algumas das ruínas romanas mais belas fora da Itália, é praticamente um "país" do grupo radical xiita Hezbollah.

Por isso, a área tem sido intensamente bombardeada por Israel nas últimas três semanas, mesmo que a cidade esteja a mais de 100 quilômetros da fronteira e que não possa servir de base de lançamento de foguetes para o Hezbollah.

Na estrada para Baalbek, é possível ver retratos do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, e dos seus mentores, os aiatolás Khomenei e Khamenei, líderes supremos da revolução iraniana.

No caminho, a paisagem também revela postos de gasolina e usinas industriais destruídas. Todas elas eram instalações civis, dizem os moradores locais.

Crateras com dez metros de diâmetro sugerem que enormes bombas guiadas a laser foram jogadas por Israel nos alvos.

Hoje, mísseis muito menores - mas ainda assim letais - disparados por aviões não-tripulados ocupam as mentes dos moradores de Baalbek e dos visitantes da BBC.

Morador Ali Taher, em frente ao seu carro destruído
Ali Taher conta como escapou milagrosamente da morte

Ataque a casas

O oficial aposentado do exército libanês Faisal Sahili conta que sua família teve sorte de escapar com vida, depois que sua casa na vizinhança de Sheikh Habib foi destruída por bombardeios de Israel no terceiro dia de conflito.

"Os aviões começaram a bombardear a nossa área e então nós fugimos para os campos, que são os lugares mais seguros", afirmou Sahili.

Minutos depois, a casa foi ao chão. Os motivos por trás do ataque contra Baalbek não estão claros. Jornalistas afirmam que 12 casas foram destruídas na região.

A maior parte das casas estava vazia. Os moradores fugiram de Baalbek para vilas próximas. Três civis não conseguiram escapar e morreram.

No total, 250 propriedades foram atingidas pelos bombardeios aéreos de Israel, a maior parte aparentemente sem conexão alguma com o Hezbollah.

Ainda é perigoso checar todos esses dados, já que algumas áreas ainda estão sob ataque.

"Ontem, eu voltei para ver se conseguia reaver alguns pertences e roupas da minha casa, mas um avião não-tripulado estava sobrevoando a área e disparou um míssil contra o meu carro", disse Sahili.

"Por sorte, ele errou, então pude me esconder até que o avião fosse embora e depois peguei o carro e fui para o mais longe possível."

Fuga milagrosa

O morador da cidade Ali Taher diz ainda não acreditar direito que está vivo. Olhando a pilha gigante de concreto e metal em frente à sua casa, é difícil não concordar com ele.

Faisal Sahili, morador de Baalbek
Faisal Sahili e sua família tiveram de fugir para os campos

Os prédios em frente, que seriam um posto de assistência social e uma escola, foram reduzidos a escombros na semana passada. Taher estava parado na porta de sua casa.

O que restou de sua minivan ainda está parado no mesmo local em que ele estacionou na semana passada. Taher escapou com apenas alguns arranhões.

"Você pode dizer que estou vivo só por falta de morte", diz Taher, citando um antigo ditado libanês.

Ele me entregou o maior pedaço de bomba que vi desde que cheguei aqui. O artefato tem 25 centímetros de comprimento e pesa cerca de três quilos.

"Encontramos isso na cama do nosso filho. Ainda bem que eu os mandei para Zahle (uma cidade cristã) no primeiro dia de ataques", afirmou Taher.

Ele afirma ter tranqüilidade agora sobre a possibilidade de morrer no próximo ataque. Mas, em seguida, confessa que quase não dormiu desde que começaram os bombardeios.

Zumbido constante

Carro do Hezbollah patrulha rua em Ballbek
Em Baalbek, os carros do Hezbollah continuam patrulhando as ruas

"Não é seguro aqui. Nós temos que ir embora agora", afirma Hikmat Shreif, que é correspondente local para uma agência internacional de notícias, depois de nos levar para um distrito residencial bombardeado no norte de Baalbek.

Na nossa frente, havia duas crateras grandes. Os prédios que funcionavam ali teriam sido alugados por integrantes do Hezbollah.

Nos céus, o zumbido dos aviões não-tripulados continuava. Quando uma pessoa experiente como Shreif diz que é hora de ir embora, é bom levar o conselho a sério.

Nosso pequeno comboio de jornalistas voltou rapidamente para o relativamente seguro centro da cidade, deixando para trás as pequenas ruelas.

No centro, tudo estava silencioso e as lojas estavam fechadas. Nas ruas, a frota de Volvos antigos do Hezbollah faziam a patrulha.

Eles podem ter sofrido baixas - como muitos civis de Baalbek - mas ainda estão no comando da cidade.

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