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Brasil e EUA buscam sobrevida para Rodada Doha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, se reúne neste sábado, no Rio de Janeiro, com a representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, para tentar retomar o diálogo entre os dois países sobre a Rodada Doha após a suspensão das negociações na OMC (Organização Mundial do Comércio). De acordo com o Itamaraty, o encontro não é uma reunião de negociação, e sim uma oportunidade de "reflexão" para os representantes dos dois países, que prometem não abandonar a pretensão de concluir a Rodada Doha. "O sistema multilateral de comércio continua sendo a prioridade do Brasil e nós continuaremos tentando retomar as negociações no mais breve prazo possível", disse Roberto Carvalho de Azevêdo, diretor do Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores. "A Rodada Doha obviamente passa por sérios problemas, mas ainda não está morta. Os Estados Unidos, pelo menos, não têm a intenção de abandonar a Rodada Doha ou enterrá-la antes da hora", afirmou Susan Schwab, em Washington, antes de viajar para o Rio. Fast Track Lançada em 2001 com o objetivo de promover a liberalização do comércio global, a Rodada Doha entrou em colapso na última segunda-feira. As negociações entre os mais de 140 países membros da OMC foram suspensas devido à falta de um acordo sobre a redução dos subsídios domésticos e a abertura dos mercados para produtos agrícolas nos países desenvolvidos. Com a interrupção das negociações, um dos maiores obstáculos para a conclusão da Rodada Doha passa a ser o fim do TPA (sigla em inglês de Trade Promotion Authority, mecanismo também conhecido como Fast Track que facilita a negociação de acordos comerciais pelo governo americano). O mandato do TPA, que autoriza o presidente George W. Bush a negociar acordos comerciais sem o risco de vê-los modificados pelo Congresso americano, vence em julho de 2007. Apontado como maior culpado pelo fracasso das negociações na OMC por resistir em aceitar uma redução substancial dos subsídios agrícolas domésticos, o governo americano admite a possibilidade de buscar a renovação do TPA. "Creio que, se até o segundo trimestre de 2007, tivermos o esboço de uma Rodada Doha que seja um pacote atraente, teremos muito mais chances de obter uma recepção positiva à extensão do TPA", afirmou Susan Schwab. Até o vencimento anterior, em 1994, o TPA costumava ser renovado ou estendido sem interrupção. Mas, a partir dali, houve um intervalo de oito anos até que o mecanismo voltasse a vigorar, em 2002. Agora, um dos temores é o de que as eleições para o Congresso americano, em novembro, dificultem a renovação do TPA. "Nenhum de nós tem condições de prever o que o Congresso vai ou não fazer", alertou a representante de Comércio dos Estados Unidos. Acordos bilaterais Diante do pessimismo que ronda o futuro das negociações na OMC, uma das opções à Rodada Doha é a intensificação dos acordos bilaterais.
Mas tanto o Itamaraty como o governo americano reconhecem que uma negociação do tipo entre Brasil e Estados Unidos não teria o mesmo impacto para a economia brasileira que um acordo multilateral. "Não tenho inveja dos acordos (bilaterais). Não são tão ambiciosos como o Brasil gostaria que fossem", afirmou o diretor do Departamento Econômico do Itamaraty. "Não assinaria nenhum deles." "Há algumas coisas que você não pode conseguir em negociações bilaterais, e outras que você não pode alcançar em uma negociação multilateral. Nós precisamos das duas", comentou Susan Schwab. "Nem o Brasil e nem os Estados Unidos desejam desistir da agenda multilateral ainda", acrescentou. "Então, vocês não vão nos ver conversando sobre acordos regionais ou bilaterais a menos ou até que nós desistamos da Rodada Doha." Algodão Outro tema polêmico nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos é a disputa sobre os subsídios concedidos pelo governo americano aos produtores de algodão. No ano passado, a OMC acatou uma reclamação do Brasil e concluiu que os subsídios americanos eram ilegais. Após a decisão, o governo brasileiro chegou a apresentar dois pedidos de autorização para retaliar produtos dos Estados Unidos por causa da disputa. Diante do compromisso assumido pelo governo americano de acabar com os subsídios considerados ilegais até o início de agosto, o Brasil decidiu adiar possíveis retaliações. "Nós obviamente não vamos falar em público sobre o andamento do processo", disse a representante de Comércio dos Estados Unidos. "Mas gostaríamos de ver o assunto resolvido." |
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