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Atualizado às: 26 de abril, 2006 - 08h52 GMT (05h52 Brasília)
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Vozes de Chernobyl: 'Logo vi que era algo terrível'

Vladimir Usatenko
“Não podíamos recusar fazer nada; vivíamos num tempo de guerra”
Eu me chamo Vladimir Usatenko. Nasci em Krasnograd, que fica na região de Kharkov, em 1949. Sou engenheiro e ex-membro do Parlamento ucraniano.

Quando a catástrofe de Chernobyl ocorreu, as primeiras notícias soavam incompreensíveis para mim, por causa do tom excessivamente confiante dos políticos.

Logo vi que algo terrível tinha acontecido.

Quando fui convocado para trabalhar em Chernobyl, não foi como especialista, mas como um trabalhador braçal para atuar nas áreas mais contaminadas.

A maioria dos que faziam esse trabalho era gente experiente, altamente qualificada. Os que estavam no comando, por outro lado, eram apenas "líderes profissionais" (políticos), jamais tinham colocado a mão na massa, e assim tinham pouca noção do que deveria ser feito.

Muitas das tarefas que eles nos davam não faziam o menor sentido. Em muitos casos, simplesmente não queríamos fazer o que eles nos pediam. Sabíamos que não fazia sentido e provavelmente salvamos nossas vidas quebrando as câmeras que eles usavam para nos monitorar.

Tempo de guerra

Por longo tempo não fizemos nada além de procurar um lugar mais protegido da radioatividade, o que nos daria alguma chance de futuro.

Não era possível simplesmente recusar fazer o que eles mandavam, porque o promotor militar nos observava de perto e, na prática, vivíamos num tempo de guerra.

Mais tarde, eu fui eleito para o Soviete Supremo (que era o Parlamento da União Soviética).

Em 1994, eu tive o orgulho de anunciar ao Parlamento um relatório que determinava condições de segurança para a indústria nuclear na Ucrânia. Esse relatório deu origem a diversas leis relativas ao uso de energia nuclear.

O objetivo principal dessas leis é o de não ignorar as conseqüências de se explorar essas tecnologias no futuro. Tudo pode ser resolvido durante a vida útil de cada instalação nuclear.

Se você constrói uma usina, pode fazer com que seja totalmente segura durante sua operação, e quando ela acaba, tem de haver condições financeiras para que seja desmontada de maneira “limpa”.

"Supermercado"

Infelizmente, o governo da Ucrânia ainda não compreendeu o quanto é necessário que essas leis entrem em vigor.

Para mim, Chernobyl foi uma lição fantástica, uma escola, onde eu aprendi a entender melhor as pessoas.

No final, percebi que o mundo é como um grande supermercado e que a caixa registradora está perto da saída. Curiosamente, o fato de que o sarcófago que envolve o reator tem o formato de uma velha caixa registradora talvez não seja em vão.

Todo mundo deveria entender que tudo vai terminar com um sarcófago como aquele – isso na melhor das hipóteses – se continuarmos a deixar de pensar em modos mais efetivos de produzir e usar energia.

Fantasma
A cidade de Pripyat está abandonada há 20 anos. Veja fotos.
Cavalo selvagem em PripyatVida animal
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'A contaminação era tão alta que não podia ser medida.'
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