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Vozes de Chernobyl: 'Pensei que todos tinham morrido' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Meu nome é Olexiy Breus e eu trabalhva na usina nuclear de Chernobyl. Hoje trabalho como artista e como jornalista da agência de noticias ucraniana, a Unian. No dia 26 de abril, eu estava designado para trabalhar no bloco do reator 4. Tomei café em casa fui para o trabalho de ônibus. Quando cheguei, eu vi a unidade destruída e pela primeira vez compreendi o significado da expressão ‘ficar de cabelo em pé’. A destruição tinha sido tão séria que eu pensei que todo mundo do turno da noite tinha morrido. Eu não tinha idéia por que eu tinha sido levado para lá ou o que eu deveria fazer. Mas chegando na usina, eu vi que estavam despejando água dentro do reator e percebi que era para fazer aquilo que eu estava lá. Só fiquei alguns minutos perto do reator, mas passei quase todo o meu turno naquele bloco. Não tive como medir a radiação. Perto da sala de controle tinha uma poça d’água. Me disseram que a radiação nessa poça era de 800 micro-roentgen por segundo. É exatamente mil vezes a intensidade permitida. É muito, mas fiz uma conta e vi que era menos de cinco roentgens por hora, que é uma dose suportável. A dose permitida era de cinco roentgens por ano. Depois disso, não escutei mais ninguém falar de níveis de radiação. Apartamento radioativo
Já no outono de 1986, todos os trabalhadores que tinham sido evacuados de Chernobyl foram alojados em apartamentos em Kiev. O meu prédio tinha sido construído durante aquele verão em seguida ao acidente. Durante a construção, claro, janelas e telhados ainda não estavam prontos e chovia dentro dos apartamentos. Minha filha nasceu em outubro em Leningrado, mas antes de levá-la para Kiev eu decidi checar o apartamento cuidadosamente. Como eu tinha um medidor de radiação, eu medi cada centímetro de cada parede e também dos assoalhos e janelas. Chequei tudo e, em alguns lugares, a contaminação era tão alta que o aparelho não conseguia medir. Eu arranquei o assoalho e raspei ele. Peguei um velho aspirador de um amigo e aspirei os pedaços que tinham saído do assoalho. Daí, entreguei o aspirador às autoridades ambientais pra que ele fosse adequadamente destruído. Mas, é claro, a maioria dos moradores mudou para suas novas casas sem procurar saber sobre a radiação. Meus colegas também checaram os apartamentos deles. O lugar mais sujo era sob a tinta das janelas. Daí eles tiravam a tinta. Para alguns, o problema era embaixo do papel de parede. Nesse caso, tiravam o papel de parede e limpavam as janelas. Manifesto artístico
Por um tempo após o acidente, houve um período no qual o meu trabalho jornalístico me tomava praticamente todo o tempo e eu quase não desenhava. Mas um pouco depois eu conheci alguns outros artistas que formariam uma associação que veio a se chamar “Estrôncio 90”. Eles fizeram um manifesto dizendo que a missão da arte deles era para que nunca se esquecessem as lições de Chernobyl. Logo percebi que as idéias deles tinham muito a ver com as minhas no que diz respeito à arte e ao acidente. Me juntei a eles e trabalhamos juntos por alguns anos. |
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