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Atualizado às: 05 de abril, 2006 - 17h59 GMT (14h59 Brasília)
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Análise: Protestos mudam cenário político na França

Policiais e manifestantes em Paris
Há mais de dois meses, estudantes e sindicatos combatem, em massa e França afora, o Contrato de Primeiro Emprego (CPE), que permitiria aos patrões demitir um jovem de até 26 anos, nos primeiros dois anos de emprego, sem apresentar as razões da demissão.

A lei, proposta pelo primeiro-ministro, Dominique de Villepin, visa criar empregos para os jovens. Atualmente, 24% daqueles entre 15 e 25 anos estão sem emprego. O nível de desemprego geral, na França, é de 9,9%.

Diante da revolta de estudantes e sindicatos, o presidente Jacques Chirac foi à TV anunciar duas mudanças na lei: a redução do prazo para demissão de 2 para 1 ano e necessidade de explicação do motivo.

Precariedade

Minutos após o discurso de Chirac, estudantes e sindicalistas tomavam, mais uma vez, as ruas.

Detalhe surrealista: Chirac sancionou a lei trabalhista, no dia de seu discurso, porém, por ora, ela não será aplicada. E até o início de maio, quando os deputados voltarão de férias parlamentares, a lei não será debatida na Assembléia Nacional.

Desde maio de 1968, não havia manifestações que aglutinam entre 1 a 3 milhões de estudantes e sindicalistas, na França.

Contudo, jovens e sindicatos de maio de 1968 se propunham a ser um modelo para inovações sociais e a evolução de mentalidades e inspiraram movimentos mundo afora. Agora, os jovens não parecem oferecer alternativas.

Desta vez, argumenta, para BBC Brasil, Jean-Pierre Bontouse, deputado do Partido Comunista, a luta é "contra a precariedade".

A contenda entre governo e estudantes unidos a sindicalistas tem, claro, desdobramentos políticos consideráveis.

A menos de um ano de eleições presidenciais, em janeiro de 2007, o presidente Jacques Chirac indicou Nicolas Sarkozy, ministro do Interior e líder do partido da direita, União do Movimento Popular, (UMP), como negociador com sindicatos e organizações estudantis.

Assim, Sarkozy, e não Dominique de Villepin, se tornou o candidato mais cotado para se tornar o próximo presidente da França. Detalhe: Villepin, diplomata jamais eleito a um cargo político, é o favorito de Chirac para ocupar seu atual cargo, em 2007.

Sarkozy, portanto, toma as rédeas do governo. Villepin, seu rival na corrida presidencial, passou para o segundo plano.

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