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Atualizado às: 04 de março, 2006 - 01h06 GMT (22h06 Brasília)
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EUA revelam nomes de prisioneiros de Guantánamo
Cerca de 500 presos estão em Guantánamo há quatro anos
O Departamento de Estado americano divulgou os nomes e nacionalidades de alguns dos presos detidos na prisão da Baía de Guantánamo, em Cuba, na sexta-feira.

Mas os nomes não aparecem como uma simples lista. Eles estão em meio a 6 mil páginas de documentos, publicadas no website do Pentágono.

As transcrições dos interrogatórios iniciais dos 500 presos, no qual o seu status de combatente foi analisado, já tinham sido publicadas antes, mas com os nomes riscados e ilegíveis.

A divulgação é resultado de um requerimento da agência de notícias Associated Press usando o Ato de Liberdade de Informação dos Estados Unidos.

Esta é a primeira vez que os nomes dos presos em Guantánamo são tornados públicos.

Alguns dos nomes divulgados pelos EUA
Feroz Ali Abassi, britânico - submeteu reclamações por escrito contra a polícia militar
Abdul Gappher, uigur do oeste da China - acusado de tentar se juntar ao Grupo Islâmico do Uzbequistão mas afirma que estava treinando para lutar contra os chineses
Mohammed Sharif, afegão - acusado de servir como guarda do Talebã mas afirmou que foi forçado a trabalhar para o grupo
Abdullah Mohammed al-Hamiri, iemenita - acusado de associação com a Al Qaeda
Zahir Shah, afegão - acusado de ser membro do grupo radical Hizb-i-Islamia
Mahbub Rahman, afegão - acusado de espionar as forças americanas
Naibullah Darwaish, afegão - acusado de ser o chefe de polícia da província de Zabul, designado pelo Talebã

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que este é um golpe importante contra a política de informações secretas do governo americano.

Segundo ativistas, a nova informação vai ajudar a levantar as histórias pessoais dos detidos e a julgar se muitos eles podem realmente significar uma ameaça aos Estados Unidos, como os militares americanos alegam.

Detentos fantasmas

Os prisioneiros foram classificados no Combatant Status Review Tribunals (tribunal de revisão do status de combatente, em tradução livre), uma revisão das condições de detenção estabelecida pelo Departamento de Defesa americano, como "combatentes inimigos".

O correspondente da BBC no Pentágono, Adam Brookes, disse que serão necessários dias ou semanas para os documentos serem lidos e analisados.

Mas uma vez que os nomes se tornem públicos, informa Brookes, muito mais vai ser conhecido sobre quem são eles e quais são as circunstâncias da sua captura ou detenção.

Ainda segundo Brookes, somente os presos que passaram pelo tribunal de revisão tiveram os nomes revelados. É possível que haja outros prisioneiros, conhecidos como "fantasmas".

Alimentação forçada

Em outro desdobramento, um homem kuwaitiano preso em Guantánamo deu uma rara entrevista à BBC na qual descreveu a alimentação forçada de detentos em greve de fome no campo, que ele descreveu como tortura.

Respondendo a perguntas através de seu advogado, Fawzi al-Odah disse que os presos em greve de fome foram amarrados a cadeiras e forçados a se alimentar por um tubo no nariz, três vezes por dia.

"Eles tiraram primeiro os itens de conforto, como meu cobertor, minha toalha, minhas calças compridas e meus sapatos. E eu fui colocado em isolamento por dez dias," disse o preso.

"Eles vieram e leram uma ordem que dizia que se você se recusasse a comer, seria colocado na cadeira (para alimentação forçada)".

Odan, que está preso na base americana desde 2002, foi um dos 84 presos em Guantánamo que entrou em greve de fome em dezembro. Apenas quatro ainda estão se recusando a comer.

Ele disse que os militares americanos davam laxante para forçar os presos a defecar e os amarravam a uma cadeira de metal, onde recebiam alimentação através de um tubo três vezes ao dia.

"Um preso saudita me disse que já tinha sido torturado na Arábia Saudita e que o tratamento da cadeira de metal é pior do que qualquer tortura que ele passou ou podia imaginar", disse Odah.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos afirmou recentemente que via a alimentação forçada em Guantánamo como uma forma de tortura.

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