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Atualizado às: 03 de março, 2006 - 10h47 GMT (07h47 Brasília)
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Republicano chama Bush de impostor em livro

Oportunistas republicanos hoje se distanciam da Casa Branca de George W. Bush e até disparam contra o presidente.

Bruce Bartlett não faz parte desta categoria de impostor. Ele está atirando há tempos, da direita, contra Bush.

Conservador assumido e republicano orgulhoso, Bartlett é um autor enfurecido, o que redunda em hipérboles e falta de nuances no seu livro.

Nada funciona com a política econômica desta Casa Branca.

Com sua fuzilaria, ele perdeu em outubro passado o emprego em um think tank conservador no Texas, o National Center for Policy Analysis.

Bartlett foi assessor econômico nos governos de Reagan e do primeiro presidente Bush.

O foco do seu livro é explicar como o atual Bush na Casa Branca levou o país à "falência" e "traiu" o legado de Reagan.

Parece muito mais a retórica de franco-atiradores de esquerda, mas Bartlett reflete uma esquizofrenia entre os republicanos.

Ele integra a ala favorável a um governo pequeno e com disciplina fiscal.

São atributos ausentes entre os republicanos que estão no poder e aqui vale lembrar que Bush não é o único culpado pelo descontrole de gastos. O Congresso é de maioria republicana.

Barlett lembra que o presidente permitiu que os gastos federais crescessem 8% ao ano.

É uma taxa de expansão que não se via há 40 anos, desde que o democrata Lyndon Johnson ocupava a Casa Branca.

Nunca é demais lembrar que Bush é o primeiro presidente em 200 anos, cumprindo um mandato completo, que não vetou nenhuma lei.

Os congresssistas são incontroláveis para aumentar o rombo orçamentário e o presidente endossa o cheque.

O problema é que ao sacrificar Bush no altar e beatificar Reagan, Bartlett não ressalta que o ex-presidente tampouco foi um exemplo de disciplina fiscal.

Bartlett está tão furioso que é pródigo nos elogios ao predecessor do "impostor".

Para ele, Bill Clilnton foi exemplar com sua política de contenção de gastos.

E faz uma advertência: se a hemorragia orçamentária continuar, Hillary Clinton poderá fazer campanha como candidata democratas nas eleições presidenciais de 2008 à direita dos republicanos, pelo menos em questões fiscais.

As reclamações de Bartlett não envolvem apenas a farra de gastos.

Ele critica o estilo de governo do presidente, que exige lealdade canina dos assessores e como resultado hoje vive em uma bolha política.

Em outro contraste com o governo Cllinton, Barlett lamenta a ausência de um debate interno aberto sobre as políticas oficiais.

Ele diz que isto acontece porque na atual Casa Branca "existe uma desconfiança antiintelectual dos fatos e análises", além de um obsessão com o segredo.

Apesar de tanta frustração, Bartlett insiste que não troca de partido, mas ele até divaga sobre as vantagens de uma derrota eleitoral dos republicanos.

No raciocínio dele, na oposição o partido poderia empreender reformas e reencontrar o seu caminho. E no poder ficariam os democratas, os novos impostores.

Impostor
Bruce Bartlett
Editora Doubleday, 310 páginas, US$ 26

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