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Historiador fala da guerra, de Atenas a Bagdá | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Pelos critérios modernos, a Guerra do Peloponeso que devastou a Grécia por 27 anos foi aparentemente um conflito em pequena escala. As forças militares eram relativamente modestas e as armas pareciam primitivas. Mas para os padrões do século 5 A.C. foi uma guerra como nenhuma outra e não é à toa que sempre gerou analogias históricas. Foi um conflito de blocos, longo e brutal. A Atenas aberta, liberal e cosmopolita contra a Esparta insular, rígida e marcial. Na sua idade de ouro, Atenas quase sucumbiu, assim como seu projeto de imperialismo democrático. O historiador americano Victor Davis Hanson não é nenhum Tucídides, mas para ele a Guerra do Peloponeso foi como nenhuma outra. Classicista e especialista em questões militares, ele deu aulas durante duas décadas na Universidade Estadual da Califórnia, em Fresno. Por "A War Like no Other", Hanson recebeu um adiantamento de US$ 500 mil, mais do que seus 14 livros anteriores combinados. Os paralelos morais traçados pelo conservador Hanson entre os pendores democráticos atenienses e a oligarquia militarista de Esparta, de um lado, e as guerras no Afeganistão e Iraque, de outro, o tornaram um favorito no governo Bush. Ele foi um dos intelectuais adotados pelo vice-presidente Richard Cheney para corroborar a legitimidadade da cruzada para exportar valores americanos e derrotar o que considera o fascismo islâmico. Há 2,5 mil anos era a civilização helênica. Hoje, a civilização ocidental. Lições E, de fato, Hanson tem lições interessantes, muitas não muito louváveis . As primeiras são sobre a perene brutalidade da guerra. Hoje nas telas de televisão nós vemos cenas chocantes de violência e de terrorismo. No seu livro, Hanson lembra que os atenienses cortavam a mão direita de prisioneiros espartanos, que por sua vez praticavam a estratégia de terra arrasada. Civis eram queimados vivos e a imunidade diplomática era violada. Há lições menos encorajadoras para o governo Bush. O estudo da Guerra do Peloponeso nos mostra que nem sempre está assegurado o triunfo de Estados mais ricos e sofisticados sobre inimigos bem menos impressionantes. Afinal, apesar de suas vantagens, Atenas perdeu a guerra. E Hanson cita Tucídides, que nos lembra sobre os lapsos de impérios democráticos, sua arrogância e mau planejamento militar. Ademais, muitas vezes, a principal razão para a derrota destes "impérios do bem" é a discórdia interna e não o vigor dos seus adversários. Hanson também se remete a Tucídides quando observa que freqüentemente os clamores religiosos, emocionais e culturais contam mais do que o determinismo econômico ou a luta por recursos para explicar uma guerra ou um conflito. Como muitos bons historiadores, Hanson acerta mais quando escreve sobre o passado do que quando palpita sobre o presente. Uma das razões que levaram o vice americano Cheney a ficar tão entusiasmado com Hanson foi o deslumbramento dele nos estágios iniciais da guerra no Iraque. Hanson saudou o avanço americano em Bagdá como "sem precedentes por sua velocidade e ousadia". Previu que sua "logística seria estudada por décadas". Hanson também tropeça quando sai de sua área. Em 2003, este californiano anglo-saxão publicou o livro "Mexifornia", um brado de alerta contra as ondas migratórias de latino-americanos aos Estados Unidos. Com sua rigidez nestas coisas modernas, Hanson é mais espartano do que ateniense. A War Like no Other |
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