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Atualizado às: 03 de fevereiro, 2006 - 09h44 GMT (07h44 Brasília)
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Francês Henri Lévy escreve sobre vertigens americanas

Ninguém pode acusar Bernard-Henri Lévy, o príncipe dos intelectuais franceses, de modéstia ou falta de exuberância.

Seu novo tour de force foi seguir as pegadas do aristocrata Alexis de Tocqueville, que há 175 anos desbravou os Estados Unidos e publicou os dois volumes do clássico A Democracia na América.

O novo livro de Bernard-Henry Lévy, que como ninguém encarna a figura do intelectual-celebridade, é produto de um ano de viagem pelos EUA, cortesia da revista The Atlantic Monthly.

Grato, ele está publicando a obra primeiro em inglês e não em francês. Quelle horreur.

Distante de um grotesco antiamericanismo, Henri Lévy tampouco foi alvejado por pueris surtos de francofobia durante sua road trip para explicar a América, segundo ele.

Os americanos se renderam ao charme do francês. Isto não impediu que ele fosse vítima de uma venenosa crítica no domingo passado na capa do caderno de livros do jornal The New York Times, perpetrada pelo escritor Garrison Keillor, alguém que sem dúvida conhece a imensidão americana.

Eu confesso que me senti uma vítima da crítica corrosiva de Keillor, que com gosto investe contra a propensão de jornalistas estrangeiros (particularmente europeus) de realizarem excursões pelos EUA com paradas obrigatórias pelo exótico, esquisito e o fanático.

Assim como meu colega desta BBC Brasil, Lucas Mendes, eu fiz minha excursão cultural pelos EUA há exatamente 20 anos com uma verba (seguramente bem menos generosa do que a de Bernard-Henry Lévy) do World Press Institute.

Na sua maldade, Keillor às vezes acerta na mosca. De fato, eu tive as inevitáveis paradas em um prostíbulo legal em Nevada e em uma mega-igreja evangélica no sul do país.

Eu estou aqui, no entanto, para elogiar e não para enterrar Henri Lévy. Sim, há banalidades e grandiosidades ocas no livro. Ele escreve que a América ''é um lugar de alta - extremamente alta - tensão simbólica, mas que é neutra, praticamente vazia".

Preciso fazer um curso na Sorbonne para desconstruir a frase. Mas há preciosidades (é verdade que nem sempre polidas) sobre os paradoxos americanos, que provocam a vertigem do título do livro. Este é um pais que cultiva tanto a ordem como a liberdade.

Curioso e infatigável, Henri Lévy conversou com gente interessante como Woody Allen, Norman Mailer, Francis Fukuyama e Samuel Huntington.

Ele teve choques intelectuais e não esconde sua antipatia por muitos aspectos da vida e da política do país (apego popular à religião e a aventura messiânica de George W. Bush no Iraque), mas no geral é um livro simpático aos americanos.

Henri Lévy admira a capacidade americana para acolher imigrantes, sem exigir que reneguem sua identidade prévia. E lamenta que não seja assim na sua França.

Para o príncipe de idéias bombásticas, os EUA são uma "fábrica de cidadãos, que tem alguns defeitos, alguns problemas, mas o país funciona", melhor do que o modelo francês. Quelle horreur.

American Vertigo
Bernard-Henri Lévy
Random House, 308 páginas, US$ 24,95

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