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Atualizado às: 20 de janeiro, 2006 - 09h32 GMT (07h32 Brasília)
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Em livro, Bremer defende seu trabalho no Iraque

Paul Bremer chegou ao Iraque em maio de 2003, logo após a queda de Bagdá, e durante 14 meses enfeixou as funções do Executivo, Legislativo e Judiciário como o administrador da Autoridade Provisória da Coalizão, liderada pelos Estados Unidos, que haviam derrotado o regime de Saddam Hussein.

Talvez a história atribua a Bremer apenas uma nota de rodapé, mas como o veterano diplomata despachado pelo presidente George W. Bush para Bagdá escreve no primeiro capítulo de suas memórias, naqueles 14 meses ele era "a única figura de autoridade suprema, além do ditador Saddam Hussein, que a maioria dos iraquianos jamais tinha conhecido".

Bremer já foi ridiculamente chamado de o Douglas MacArthur de Bagdá, mas nunca teve o papel ou a importância do lendário general americano que comandou a ocupação do Japão após a Segunda Guerra Mundial.

Cercado por um impressionante e justificável aparato de segurança, o administrador americano circulava pelo Iraque com botas de deserto. Eram sua marca registrada, não para impor autoridade ou muito menos para simbolizar a força do ocupante, mas para mostrar serviço.

Naqueles 14 meses, Bremer era um diplomata-burocrata com pressa para construir um novo Iraque, com a ingenuidade, idealismo e a arrogância tão típicos dos americanos.

Especialista em contra-terrorismo, Bremer girava pelo Iraque de helicóptero enfrentando uma crescente insurgência, lidando com uma crise atrás da outra e fazendo o que podia para restaurar a normalidade para um país com a infra-estrutura dilapidada devido a décadas de ditadura, guerras e sanções internacionais.

Além destas tarefas mais prosaicas, Bremer e sua equipe estavam encarregados de semear os altos ideais da democracia e do livre mercado em um país que não era familiarizado com nenhum deles.

Livro de memórias

Trata-se de um livro de memórias. Logo estamos diante da história, segundo Paul Bremer. Ele assume sua prerrogativa de se distanciar das decisões mais controvertidas – ou simplesmente desastrosas, na avaliação dos detratores.

A mais notória, claro, foi a dissolução do Exército iraquiano. Bremer obviamente não considera a decisão um desastre (no sentido de que tenha fornecido mão-de-obra para os rebeldes). Argumenta que a dissolução de um Exército que representava a base de poder sunita era fundamental para os ocupantes convencerem xiitas e curdos que uma nova ordem estava sendo construída no Iraque.

Por seus serviços, Bremer foi agraciado por Bush com a Medalha Presidencial da Liberdade. Disciplinado, ele não critica diretamente a Casa Branca e sua política iraquiana. Dispara, porém, petardos contra o Pentágono, de Donald Rumsfeld, por não ter acatado as advertências de que 500 mil soldados seriam necessários inicialmente para manter a ordem após o fim do regime de Saddam Hussein. A coalizão tinha 160 mil soldados quando Bremer pisou com suas botas em Bagdá.

As memórias de Paul Bremer são defensivas, mas insuficientes para protegê-lo. Bremer foi figura de ponta de um programa de pós-guerra mal planejado e mal executado. No final das contas, o mandato do vice-rei de Bagdá evidenciou a distância entre as fantasias (algumas bem intencionadas) de uma coalizão de ocupação e a dura realidade de um país que após recuperar sua soberania ainda não encontrou seu caminho.

My year in Iraq
L. Paul Bremer, com Malcom McConnell
Simon & Schuster, 417 páginas, US$ 27

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