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Atualizado às: 23 de fevereiro, 2006 - 17h00 GMT (14h00 Brasília)
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Análise: Líderes têm desafio de impedir guerra civil no Iraque

Protesto após destruição do templo de Samarra
A destruição parcial da cúpula dourada revoltou muitos xiitas
Para as famílias das pessoas que morreram desde a invasão do Iraque, em 2003, ou os outros milhares que foram mutilados, ou aqueles que foram seqüestrados, provavelmente não faz muita diferença que tipo de guerra está ocorrendo no país.

O fato é que tem havido uma guerra lá há quase três anos, e que isso lhes trouxe dor.

Mas todo mundo no Iraque - e em todo o Oriente Médio - sabe que uma guerra total seria muito pior.

Depois do ataque ao santuário al-Askari, em Samarra, Jalal Talabani, o presidente do Iraque, ficou tão preocupado que foi à televisão advertir sobre o quão perigoso seria um conflito destes.

O Iraque não vive uma guerra civil, mas tem as características de uma.

Muito antes que a cúpula dourada da mesquita de Samarra fosse destruída, ocorreram graves incidentes, envolvendo muitas mortes, entre diferentes comunidades do Iraque.

Todos os lados sofreram, mas os xiitas perderam milhares de pessoas em centenas de ataques sectários.

A única coisa boa é que líderes responsáveis reconheceram o perigo, e não permitiram que seu país descambe para um tipo de pesadelo que o Líbano viveu durante 15 anos depois de 1975.

Violência

Mas a destruição do santuário de al-Askari coloca a guerra civil no Iraque em um novo patamar.

Ela gerou protestos maiores do que a morte de pessoas e isso poderia ampliar o perigo e a violência.

A razão é que os locais sagrados no Oriente Médio são muito especiais para as pessoas, que os consideram sagrados, o que se aplica a todas as diversas religiões e seitas.

Elas são uma parte vital da forma como as pessoas se vêem.

Um ataque a um santuário é um ataque direto à identidade e aos direitos de uma comunidade inteira.

As grandes catedrais cristãs da Europa tinham o mesmo poder simbólico quando foram construídas e ainda são, para os devotos.

Mas, no que diz respeito à maioria dos europeus seculares, são lugares que os turistas visitam durante o verão.

Ódio e devoção

No Oriente Médio é muito diferente.

Para os israelenses, o Muro das Lamentações em Jerusalém é um símbolo da religião e da nacionalidade. Para os palestinos, o Domo da Rocha e a Mesquita al-Aqsa são a mesma coisa, no coração de sua afirmação de cidade sagrada.

Em setembro de 2000, o ódio causado pela visita de Ariel Sharon, o então líder direitista israelense, à área do Santuário Nobre onde ficam as mesquitas, ajudaram a dar início a cinco anos de matança.

Os lugares sagrados dos xiitas no Iraque têm a mesma importância para as pessoas que os veneram.

São locais religiosos, mas também têm grande significação política.

No Oriente Médio, política e religião estão tão ligados que freqüentemente são a mesma coisa.

Muito agora depende dos líderes xiitas, especialmente do Grande Aiatolá Ali Sistani, o líder religioso máximo, e do clérigo nacionalista radical Moqtada al-Sadr, que interrompeu uma visita ao Líbano e voltou para o Iraque assim que soube o que aconteceu em Samarra.

Ambos pediram unidade nacional e urgiram ao povo xiita que se defenda se as autoridades não puderem fazer isso.

Eles vivem em uma cultura em que é natural expressar ódio e tristeza coletivamente nas ruas.

Mas seu desafio para os líderes é controlar e canalizar a raiva e fazer com que ela seja expressada mas não saia de controle.

Uma guerra civil no Iraque destruiria as chances de um governo central eleito, que será liderado e dominado por xiitas quando eventualmente for formado.

A guerra civil poderia levar à desintegração do país e propagaria ainda mais a instabilidade e a violência pelo Oriente Médio e além.

É por isso que a maioira dos iraquianos, de todos os lados, não querem uma guerra civil e por que alguns extermistas a desejam e estão fazendo o máximo para que ela aconteça.

Manifestante xiita em BasraIraque
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