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Milhares protestam contra ataque a templo xiita no Iraque | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Dezenas de milhares de pessoas participam de manifestações em todo o Iraque nesta quarta-feira em protesto contra um ataque a bomba que destruiu parte de um dos mais sagrados templos xiitas no país, o santuário de Askari, em Samarra, a 90 quilômetros de Bagdá. A conhecida cúpula dourada do santuário foi reduzida a ruínas após dois homens armados vestidos de policiais terem, segundo testemunhas, forçado a entrada na mesquita e detonado artefatos explosivos no início da manhã. Nenhum grupo reivindicou a autoria das explosões. Milhares de pessoas foram às ruas em protesto contra o ataque, abanando bandeiras do Iraque, cópias do livro sagrado muçulmano, o Corão, e bandeiras religiosas xiitas. Diversas mesquitas sunitas foram incendiadas durante protestos contra o ataque em Samarra, que fica na região central do país. Ao menos uma pessoa morreu em confrontos entre sunitas e xiitas na cidade de Basra, no sul iraquiano. O aiatolá Ali Sistani, chefe espiritual dos muçulmanos xiitas do Iraque, convocou uma semana de luto pelo ataque e pediu que os féis façam protestos pacíficos em suas cidades, mas que não se desloquem para Samarra. Cúpula dourada O impacto da explosão no santuário de Samarra foi tão forte que destruiu a cúpula dourada do templo, que, de acordo com a tradição xiita, guarda os restos mortais de dois imãs descendentes diretos do profeta Maomé e atrai fiéis de todo o mundo. As informações iniciais eram de que não havia mortos ou feridos, mas temia-se que pudesse haver algumas pessoas presas sob os escombros. Depois da explosão, soldados americanos e iraquianos cercaram o templo e revistaram as casas próximas. Os cinco policiais responsáveis pela segurança do prédio foram levados em custódia, de acordo com um representante da polícia de Samarra. Esse foi o terceiro grande ataque contra alvos xiitas em três dias. Disputas sectárias
Em Bagdá, grupos de xiitas atacaram ao menos cinco mesquitas sunitas em resposta ao ataque em Samarra. Também houve episódios de violência registrados em outras cidades. Em Najaf, uma multidão se reuniu numa manifestação pedindo vingança pelo ataque. Também ocorreram manifestações na cidade xiita de Karbala e em Basra. O aiatolá Sistani, que tem adotado consistentemente um tom moderado em todo o conflito no Iraque, pediu aos xiitas para não atacarem os locais sagrados dos sunitas. Foco da insurgência Samarra é um local de maioria muçulmana sunita e tem sido um dos focos da insurgência armada contra as tropas dos Estados Unidos e contra o governo iraquiano, dominado pelos xiitas. O santuário de Askari, parte do mauseoléu do imã Ali al-Hadi, é um dos locais mais sagrados para os xiitas. Ali al-Hadi, que morreu no ano 868, e seu filho, Hassan al-Askari, morto em 874, seriam descendentes diretos do profeta Maomé. A cúpula dourada do santuário foi completada em 1905. O minarete em espiral no topo de um dos outros pontos sagrados da cidade, a grande mesquita sunita de Samarra, foi danificado em abril de 2003. Luto oficial O primeiro-ministro do Iraque, Ibrahim Jaafari, que é xiita, declarou três dias de luto oficial em um comunicado na TV. Ele pediu aos iraquianos para “fechar o caminho daqueles que querem prejudicar a unidade nacional”. O assessor de segurança nacional, Muwafaq al-Rubaie, outro xiita, acusou militantes sunitas pelo ataque. “Eles não conseguirão levar o povo iraquiano à guerra civil, assim como não conseguiram no passado”, disse ele segundo a agência de notícias Reuters. |
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