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Atualizado às: 15 de janeiro, 2006 - 00h20 GMT (22h20 Brasília)
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Se eleita, Bachelet deve se aproximar de vizinhos latinos

A candidata presidencial chilena, Michele Bachelet
Candidata prioriza mais a América do Sul que seu adversário
A relação do Chile com os países da América Latina, e principalmente Brasil e Argentina, será mais próxima caso a candidata Michelle Bachelet seja eleita presidente do país neste domingo.

Com Bachellet, segundo analistas e assessores dos candidatos, o Chile poderia caminhar também para ter menos conflitos com a Bolívia e, talvez, diálogo com a Venezuela, presidida por Hugo Chávez.

Mas essa relação com os vizinhos continuaria a mesma, com prioridade para os acordos comerciais internacionais com outros blocos e países, se o empresário Sebastián Piñera for eleito como sucessor de Ricardo Lagos.

Os presidenciáveis afirmaram várias vezes durante a campanha eleitoral que vão manter e até ampliar esses entendimentos comerciais.

A diferença é que Bachelet também buscaria maior aproximação política com os vizinhos. Piñera até lembrou, mais de uma vez, que o Chile faz parte da América Latina, mas a expectativa é que ele daria mais peso à relação com os Estados Unidos, por exemplo, e manteria distância de Chávez e do presidente eleito da Bolívia, Evo Morales.

As interpretações de analistas, como o sociólogo Manuel Garretón, da Universidade do Chile, e de assessores das campanhas de Bachelet e de Piñera, são feitas a partir das declarações dos próprios candidatos horas antes do segundo turno das eleições, neste domingo.

Integração

“Não há mais pretextos para que o Chile não dê prioridade à integração latino-americana”, disse o professor Garretón. “O Chile já está inserido no mundo, depois de tantos acordos comerciais, e agora precisa aliar-se estrategicamente aos países vizinhos”.

De acordo com o porta-voz de política internacional do comitê de campanha da candidata, Ricardo Lagos Weber, filho do presidente Lagos, o país assinou, nos últimos tempos, acordos com cerca de 70% dos países e blocos no mundo.

Para Manuel Garretón, a crise energética na região, com maior dependência do gás da Bolívia, por exemplo, levará o Chile, queira-se ou não, a maior integração política e econômica com seus vizinhos, principalmente Brasil, Argentina e Uruguai, três dos quatro sócios do Mercosul (bloco do qual já é sócio).

“Não há globalização possível que não seja através dos blocos. Só a China e a Índia, por suas numerosas populações, não precisam de sócios para sentir-se globalizadas”, destacou.

O analista internacional Cláudio Fuentes, da Flacso, pensa diferente. “Se Bachelet for eleita vai manter distância da Venezuela, presidida por Chávez, e da Bolívia, presidida por Morales, e ainda uma relação cordial com o Brasil e a Argentina”, enfatizou.

Para o sociólogo e analista internacional Manuel Garretón, Bachelet vai “se apoiar mais” nestes países do Mercosul e também no México e tentar resolver os problemas que o Chile possui hoje com os andinos, principalmente a Bolívia.

Chile e Bolívia travam uma disputa histórica pelo acesso ao mar do país que será presidido por Evo Morales a partir do dia 22 de janeiro.

Na opinião do analista, a relação com a América Latina será um dos pontos que marcará a diferença entre Bachelet e Ricardo Lagos. Como disse o cientista político Guillermo Holzman, também da Universidade do Chile, “o maior desafio de Bachelet, caso seja presidente, será livrar-se do fantasma de Lagos”, já que ele deixará o poder em março com altos índices de apoio popular.

'Esquerda pragmática'

Com o mapa político da América Latina em tempos de mudanças, com eleições em diferentes países, como Peru, Brasil e México, Garretón acredita que, se eleita, a ex-ministra da Saúde e da Defesa teria “mais jogo de cintura” para negociar, por exemplo, com Evo Morales e com o presidente Hugo Chávez.

“Eu não demonizo o que está ocorrendo na América Latina”, disse ela, mais de uma vez, sempre que perguntada sobre os dois políticos. Para Garretón, os dois presidentes são “diferentes” de Lula, do argentino Nestor Kirchner, do uruguaio Tabaré Vázquez e do próprio Ricardo Lagos porque surgiram de um sistema próprio de poder, a partir da crise do sistema político em seus países.

Como disse o professor emérito da Universidade de Buenos Aires, o argentino Juan Carlos Portantiero, a região está dividida hoje em duas esquerdas – “a ideológica, presidida por Chávez, na Venezuela, e Fidel Castro, em Cuba – e a “pragmática” – eleita no Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e, no seu entendimento, também na Bolívia.

E seria a esta “pragmática” que Bachelet pretenderia se unir, mais intensamente, para fortalecer politicamente o país. Piñera preferiria uma relação mais voltada para a economia de mercado do que de alianças estratégicas com os vizinhos, mantendo, de certa forma, a linha adotada pelo país nas últimas três décadas.

Sebastián PiñeraChile
Candidatos fazem últimos comícios antes de 2º turno.
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