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Atualizado às: 13 de janeiro, 2006 - 23h12 GMT (21h12 Brasília)
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Chile vai às urnas sem paixão neste domingo

Candidata socialista, Michelle Bachelet
Bachelet encerrou sua campanha na capital, Santiago
Os chilenos se preparam para ir às urnas sem paixão nas eleições presidenciais deste domingo.

Segundo analistas, como Cláudio Fuentes, da Flacso, os eleitores não esperam grandes mudanças, no caso da vitória de Michelle Bachelet ou de Sebastián Piñera, já que a economia vem mantendo o ritmo de crescimento.

Ao mesmo tempo, diz ele, o “sentimento” é o de que o resultado já estaria definido, com a eleição da candidata da situação.

Nas ruas da cidade, os eleitores de Michelle Bachelet argumentam que ela vai manter as medidas adotadas pelo atual presidente Ricardo Lagos.

Socialista, como Lagos, ela também atrai o eleitor que viveu o sangrento golpe de Augusto Pinochet contra o também socialista Salvador Allende, em 1973.

Já os partidários do empresário Sebastián Piñera afirmam que ele será mais “pragmático” e “menos ideológico” que a presidenciável.

Indiferença

O contador Rodrigo Barrera, de 33 anos, está entre os que pretendem votar nulo ou em branco no domingo.

“Não me identifico com nenhum dos dois candidatos. Não me sinto representado por eles. E como não há nenhum motivo para pânico, como tudo continuará igual, a eleição não está entre as minhas preocupações”, disse ele.

Com 15 milhões de habitantes, economia em expansão, mais de 20 acordos bilaterais de comércio com diferentes países - como Estados Unidos e China - lei do divórcio aprovada há pouco mais de um ano, assim como a propaganda sobre o uso de “camisinha”, o Chile parece viver, com a máxima normalidade, o pleno exercício da democracia.

Nessa quarta eleição presidencial após a saída do ex-ditador Augusto Pinochet, os eleitores também falam mais abertamente em quem vão votar.

Até os anos 90, poucos anos após a retomada da democracia, era comum ouvir alguns eleitores admitirem que praticavam, por medo, a “auto-censura”.

“É a primeira vez que falo, sem medo, sobre quem vou votar e será por Bachelet”, disse um taxista que preferiu identificar-se apenas como Pedro, de 56 anos.

“Não é que eu tenha medo dos dias de hoje. Nada disso. Mas talvez ainda seja o trauma da época da ditadura, quando eu era gerente da fábrica de tênis Sello Azul e vi um trabalhador ser assassinado pela polícia de Pinochet."

"Vi outros dois serem baleados sem motivos e até minha mulher grávida, de nove meses, ser revistada pelos soldados pouco antes do parto”, contou ele, olhos lacrimejando.

Segundo o taxista, na época, qualquer um poderia ser “suspeito”.

O advogado Carlos Tapia, de 59 anos, aponta para o Palácio presidencial de La Moneda, agora pintado de bege, para justificar seu voto.

“Eu vi esse palácio em chamas. Nós vivemos dias muito difíceis, mas agora vou votar em Bachelet porque é socialista como foi Salvador Allende e sei que ela dará, com certeza, continuidade ao que fez Ricardo Lagos”.

Tapia se identificou como “militante” do socialismo. “Não é que ela seja melhor ou pior que Piñera, mas é o melhor para o país”.

Pragmatismo

Equanto visitava uma exposição de fotos, no pátio do Palácio La Moneda, o estudante Jota Guzmán, de 29 anos, contou que votará por Sebastián Piñera porque não quer “um socialista governando o país”.

Para ele, não haverá grandes mudanças, caso um ou outro candidato seja eleito.

Mas para o jovem, Piñera é “mais pragmático”.

Jota e Pedro têm algo em comum: Apesar do voto diferente, dizem que não votam com “rancor”.

“Nesse país não há lugar para esse sentimento”, disse Jota.

“A economia cresce e a pobreza está diminuindo. Falta muito, é verdade, mas todo mundo fala lá fora que o Chile vai bem”, afirmou Pedro.

Os chilenos, como observou o professor da Universidade do Chile, Guillermo Holzman, estão votando no futuro e com menos ideologia que antes.

“As pessoas querem qualidade de vida. Emprego, saúde e educação valem mais hoje do que a ideologia de antes”, disse.

Mudanças

Tanto Bachelet quanto Piñera defendem a política externa implementada pelo ex-presidente Eduardo Frei e ampliada por Lagos, com maior abertura comercial.

Talvez essa abertura, com aumento das exportações chilenas e maior aproximação com países desenvolvidos, tenha sido decisiva, segundo eleitores entrevistados, para acelerar medidas com as quais antes não se sonhava, como o divórcio.

E símbolos do Chile de antes, como o “café con piernas”, então quase sinônimo de prostíbulo, agora estão espalhados por vários lados. Eles já permitem a entrada não só de homens, mas também de mulheres e viraram atração turística.

Caracterizados pelas portas escuras, que impedem ver de fora o que acontece lá dentro, eles foram durante anos a “praia” dos chilenos.

Só ali, os homens viam as pernas das mulheres, que usam mini-saias enquanto servem cafés aos fregueses.

Como disse Holzman, o Chile continua mudando, apesar de algumas curiosidades.

Pedro, por exemplo, diz que deu "liberdade" à mulher para ela votar em quem quiser, mas que por coincidência os dois votarão em Bachelet.

Jota, por sua vez, não gostou de ouvir que a namorada, se tivesse idade para votar, escolheria a candidata. "Preferia que ela quisesse votar como eu", resmungou.

Sebastián PiñeraChile
Candidatos fazem últimos comícios antes de 2º turno.
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