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Na véspera do pleito, Piñera canta música de derrota | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O candidato à presidente do Chile Sebastián Piñera cantou neste sábado uma música que, curiosamente, poderia sugerir sua possível derrota no segundo turno das eleições deste domingo. "Volver, voy camino a la locura y aunque todo mi tortura, yo se perder". Os versos da música romântica querem dizer: "Voltar, vou a caminho da loucura e apesar de que tudo me tortura, eu sei perder". Quando uma repórter chilena quis saber se a música era em referência ao resultado da eleição, ele desconversou: "Não, quero dizer que pretendo voltar à vida pública e que agora vai ser no Palácio La Moneda". Piñera cantou ao lado de sete idosas, num asilo no centro da capital chilena, neste sábado, véspera do pleito. Festa Elas tinham ensaiado a canção, antes da chegada do candidato que as presenteou com flores e chocolates.
E quando percebeu que elas não sabiam bem a letra, ele pegou o microfone e cantou. O presidenciável aproveitou para criticar, novamente, o governo do presidente Ricardo Lagos. "Graças a Deus, as pressões, a brutal intervenção e o abuso do Estado não podem entrar na urna", disse, microfone na mão. "Amanhã é uma festa democrática e quero pedir a todos os chilenos e chilenas que votem de acordo a sua consciência, liberdade e critério". Voto feminino Num dia em que a candidata da situação, a ex-ministra da saúde e da defesa, Michele Bachellet, preferiu o silêncio, Piñera reiterou que, dezesseis anos depois de governos da Concertación – a frente governista – chegou a hora de mudanças. Piñera ainda perguntou às senhoras sobre suas vidas, e algumas responderam que casaram apenas uma vez, que já eram viúvas ou que jamais tinham se casado. Sobre o voto, preferiram não comentar. Pouco antes, no comitê de campanha de Bachelet, o senador Andrés Zaldívar e o ex-ministro da Educação do governo Lagos, Sérgio Bittar, criticaram as denúncias do candidato da oposição sobre a interferência do governo para favorecer a presidenciável. "Essas denúncias reiteradas de Piñera, sobre a intervenção do Estado no processo eleitoral, não tem o menor fundamento", destacou Zaldívar. A poucas horas das eleições, Piñera, que aparece em segundo lugar, de acordo com diferentes pesquisas de opinião, continua tentando conquistar o voto feminino, decisivo neste pleito. Pessoas x partidos Se for eleita, Bachelet, que lidera as pesquisas de opinião, seria a primeira mulher a chegar ao Palácio presidencial La Moneda. E foi para as mulheres que, muitas vezes ao longo da campanha, ela dirigiu seu discurso. Por exemplo, quando informou que seu ministério terá a mesma quantidade de homens e mulheres – e não exatamente de acordo ao peso de cada partido da Concertación -, que implementará programas para as mães solteiras e lutará para que os salários sejam iguais, apesar da diferença de sexos. E cada vez que Bachelet recordou estas suas metas foi aplaudida, em seus comícios. Piñera, por sua vez, insistiu na idéia de se pagar um salário para as donas de casa, mas a dúvida seria como concretizá-lo. Na reta final para esta quarta eleição presidencial, desde a retomada da democracia, em 1990, Piñera tentou mostrar-se ainda mais próximo de Joaquín Lavín, ex-prefeito de Santiago e candidato derrotado no primeiro turno das eleições. Uma tentativa de tentar conquistar os cerca de 20% dos votos recebidos pelo político da UDI (União Democrática Independente), legenda associada à direita vinculada ao ex-ditador Augusto Pinochet. Bachelet preferiu, nos últimos dias, defender ainda mais o presidente Ricardo Lagos, que hoje conta com cerca de 70% de imagem positiva, 20% mais do que os votos que recebeu ao ser eleito, em 2000. Mas, curiosamente, Lavín também foi lembrado, neste sábado, pelos representantes da campanha da presidenciável, Zaldívar e Bittar. "Bachelet é muito mais próxima de Lavín do que Piñera, no sentido de dar maior atenção à cidadania", justificou Bittar. Joaquín Lavín perdeu, por menos de 200 mil votos, para Ricardo Lagos na eleição passada. É considerado um político polêmico, por sua defesa de Pinochet e medidas que implementou quando era prefeito. Mas, seja como for, como reconheceu Sergio Bittar, os chilenos votam cada vez mais em pessoas do que nos partidos políticos, como foi sua tradição, antes e depois do golpe de Pinochet contra Salvador Allende, em 1973. "Sem dúvida, nos tempos do dilema 'ditadura versus democracia' os votos eram nos partidos. Mas agora, graças a Deus, isso mudou. Mas também é verdade que a Concertación está aí há dezesseis anos e continua recebendo votos de confiança da população". |
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