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Pontos centrais não serão fechados na OMC, diz Amorim | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse a ausência das principais questões da Rodada de Doha na reunião de cúpula da Organização Mundial do Comércio (OMC) não significa que o encontro está fadado ao fracasso. Tudo é uma questão de ponto de vista, argumenta o chanceler brasileiro: “Depende do que você definir como fracasso. Se você colocar os objetivos de um ano atrás e checar (como avançaram) as modalidades, você até pode qualificar (como fracasso)”. “Há muitos meses a gente sabe que não vai chegar lá (nas definições sobre a Rodada de Doha). Eu acho que a barganha central da rodada não será fechada em Hong Kong. Espero estar enganado”, comentou a jornalistas da imprensa brasileira. O ministro disse que isso "eu sabia hoje, sabia há quinze dias, sabia há um mês.” Diante do argumento que a rodada enfrenta um sério problema de atraso, o ministro comentou: “A vida é muito complicada”. Comparou as negociações com os preparativos de um casamento e disse que um fracasso seria “o rompimento do noivado”. “Fracasso é algo que leve a um colapso, ao fim.” Para ele, nem mesmo Cancún foi uma perda total. “Fracasso teria sido aceitar um acordo ruim e nos obrigar a ficar mais 20 anos esperando por uma outra oportunidade de negociar agricultura.” Amorim acredita que durante essa semana de negociações em Hong Kong será possível fazer alguns progressos. Ele menciona que a definição da data para o fim dos subsídios à exportação seria uma indicação de impulso. “Isso resolve a rodada? Não, mas ajuda”, diz o chanceler. Há também detalhes metodológicos que poderiam ser fechados. Mas ele mesmo diz: “É muito difícil você explicar para a opinião pública que a reunião foi um êxito porque você concordou com o nível das limiares das banda. É difícil de explicar isso.” Bilaterais Nesse domingo, Amorim teve reuniões bilaterais com a Índia e com a União Européia. O encontro com o ministro do Comércio indiano, Kamal Nath, serviu para alinhar o discurso dos dois países que estão na liderança do G20. Segundo Amorim, nas reuniões da OMC há sempre o risco de que outros países tentem “usar as nuances” do G20 para dividir o grupo. “O G20 é uma coligação que tem em comum o fato de serem países em desenvolvimento e que são negativamente afetados pelos subsídios e outras distorções na agricultura”, define. “Mas não há dúvidas que os países não são iguais. Então a gente tem que ir sempre refinando para poder ter uma atuação geral não só na estratégia mas tática.” Estados Unidos Quanto à proximidade de discursos com os americanos, que têm ajudado o G20 a pressionar a União Européia para melhorar sua proposta de acesso a mercado, Amorim salienta que essa é a primeira vez que Washington está disposta a reformar sua política agrícola. “Acho que os Estados Unidos estão hoje verdadeiramente empenhados em diminuir os gastos do governo com subsídios agrícolas e por isso fizeram o gesto que fizeram”, afirmou. “Pela primeira vez, eles indicaram uma disposição de reformar a política agrícola americana de forma que constranja a capacidade deles de dar subsídios distorcivos. Não elimina, mas constrange.” O chanceler destaca que a resposta dos americanos é flexível, ou seja, que eles poderiam melhorar a proposta de redução de subsídios internos, mas isso estaria condicionado ao maior acesso a mercados – o que faz a responsabilidade cair sobre os europeus. “Uma oferta melhor da União Européia em acesso a mercados pode desencadear um círculo virtuoso de movimentos que leve à conclusão da Rodada”, observou Amorim. Mas nem todos acham boa a parceria com os americanos. É o caso, por exemplo, de Pedro Camargo Neto, ex-secretário de Comercialização do Ministério de Agricultura no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e atual conselheiro da Sociedade Rural Brasileira. “Eu não me conformo. No caso do algodão, o Brasil é omisso, não participa da discussão. É o aliado do Bush no algodão quando nós ganhamos um contencioso contra eles”, comentou Camargo Neto, que está em Hong Kong para acompanhar as negociações. |
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