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Negociador dos EUA descarta solução em Hong Kong | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Às vésperas de embarcar para Hong Kong, o principal negociador americano na OMC (Organização Mundial do Comércio), Robert Portman, disse que não espera que esta reunião ministerial seja suficiente para destravar o atual impasse em que a Rodada de Doha se encontra. Mesmo assim, o representante de Comércio dos Estados Unidos diz estar otimista. Para ele, a reunião em Hong Kong será uma peça-chave no avanço das negociações, que deverão ser concluídas até o final do ano que vem. “Hong Kong nunca teve a intenção de ser o final do processo. Nós temos obrigação de fazer o melhor durante a reunião e, a partir daí, utilizar este momento de sucesso para atingir um acordo satisfatório no final de 2006”, disse Portman, durante a sua última entrevista coletiva, em Washington, antes de deixar a capital rumo a Hong Kong. Portman e sua equipe embarcam neste sábado, chegam domingo à tarde e devem permanecer naquele país por dez dias. A agenda de compromissos já está lotada. Entre eles, uma reunião com os países que compõem o G4, grupo formado por Brasil, Índia, União Européia e Estados Unidos. Os representantes dos quatro membros vão se reunir com o secretário-geral da OMC, Pascal Lamy, para avaliar em que pé andam as negociações multilaterais. Liderança brasileira Robert Portman elogiou o papel que a delegação brasileira vem desempenhando dentro da OMC. “O Brasil tem sido um importante parceiro nas negociações comerciais e tem desempenhado um papel de liderança, principalmente em relação aos países em desenvolvimento organizados em torno do G20”, declarou Portman à BBC Brasil. Ele disse considerar interessante a proposta do presidente Lula de se realizar uma reunião entre representantes dos países ricos e dos países em desenvolvimento antes do início da próxima reunião ministerial da OMC. Mas afirmou que a viabilidade da proposta vai depender do que acontecer em Hong Kong na semana que vem. “Pode ser que aconteça ou não, mas só isso já é um exemplo da liderança brasileira.” Esforço europeu Para Portman, a União Européia deveria fazer um maior esforço para aceitar a proposta americana sobre os cortes de subsídios e tarifas agrícolas. “A agricultura é a chave para destravar outras áreas desta rodada”. Em outubro, os Estados Unidos fizeram uma proposta, que continua em negociação, de reduzir em 53% o volume de subsídios agrícolas que distorcem o mercado internacional em cinco anos. Mas o governo brasileiro alega que, na prática, o corte seria menos “ousado” do que parece e não passaria dos 20%. O negociador americano fez questão de ressaltar que o avanço das negociações agrícolas é apenas o primeiro passo para a abertura de mercados em outras duas areas, segundo ele, mais importantes: manufaturados e serviços. Ele disse que para que os Estados Unidos e a União Europeia consigam driblar as pressões políticas internas, estes países precisam ter garantias mais concretas de um maior comprometimento dos países em desenvolvimento com o acesso aos seus mercados. “A maior parte do comércio mundial não está baseada em agricultura. Este setor representa apenas 22% das exportações americanas, por exemplo. Mas para avançarmos nas nossas áreas de interesse, os países ricos precisam ceder em agricultura.” Para o secretário de agricultura americano, Mike Johanns, que também participou da coletiva, a rodada de Doha deve ser levada a sério pois representa “uma oportunidade única de uma geração inteira em se avançar com a liberalização comercial”. 'Exemplo americano' O representante de Comércio americano disse que os Estados Unidos já são um país relativamente “aberto”. Portman citou um estudo que é publicado anualmente pelo FMI e pelo Banco Mundial intitulado Global Monitoring Report, que compara todos os países levando em consideração o quesito “abertura de mercado”. “Os Estados Unidos estão em sexto lugar. O Canadá, em sétimo e a União Européia, em décimo-quinto. Essa é uma boa indicação de que os Estados Unidos são um dos países desenvolvidos com maior abertura de mercado. Somos um líder neste quesito e esperamos continuar sendo”, comentou. E aproveitou para prescrever a receita: "os demais países desenvolvidos deveriam seguir o exemplo americano". |
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