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Atualizado às: 10 de dezembro, 2005 - 14h06 GMT (12h06 Brasília)
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Caso Jean Charles: ''Sabemos de tudo', diz chefe do IPCC

Jean-Charles de Menezes
Caso Jean-Charles pode levar a processo por homicídio
A Comissão de Queixas contra a Polícia britânica (IPCC, na sigla em inglês), terminou as investigações sobre as circunstâncias da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes.

Os investigadores colheram 600 depoimentos por escrito e conversaram pessoalmente com as 30 pessoas que estavam no vagão de trem em que o eletricista foi morto, no dia 22 de julho, mas não com o chefe da polícia de Londres, Ian Blair.

O relatório da Comissão deve incluir a possibilidade de processo dos envolvidos pelo crime de homicídio.

Segundo o chefe do IPCC, Nick Hardwick, seu relatório "deve" ser enviado para avaliação da Promotoria.

Em entrevista à BBC Brasil, o presidente da comissão, Nick Hardwick, disse que o grupo sabe exatamente o que aconteceu naquele dia e quem foi responsável pelo quê. Leia mais abaixo:

BBC Brasil - O fato de que a comissão deverá enviar o seu relatório à promotoria representa uma indicação forte de que os envolvidos serão acusados formalmente?

Nick Hardwick - Não. A lei nos obriga a enviar o relatório à promotoria se houver qualquer possibilidade de que um crime tenha sido cometido.

Portanto as pessoas não podem prejulgar a decisão da promotoria, que pode decidir que houve crime ou não.

Havia a expectativa de que o relatório final da comissão fosse divulgado antes do Natal. Por que houve um atraso?

Nós ainda teremos o relatório pronto perto do Ano Novo. Talvez alguns dias depois.

A investigação terminou, mas nós queremos ter certeza de que tudo é analisado de maneira apropriada antes de enviar o relatório aos promotores, mas ainda está dentro do prazo previsto.

E por que a comissão decidiu revelar agora, antes de escrever o relatório, que poderá estar enviando o documento à promotoria?

Nick Hardwick - Nós sabemos que há muito interesse no assunto, então tentamos manter as pessoas informadas à medida que a investigação progride. Assim reduziremos o número de surpresas.

Nós dissemos que seria perto do Natal, agora sabemos que será uma ou duas semanas depois.

E, também, há todo um processo legal depois disso, então nós queremos ter certeza que as pessoas entendem o que está acontecendo.

Há cerca de duas semanas, o jornal ‘The Times’ publicou uma reportagem na qual dizia que era improvável que os policiais envolvidos seriam acusados formalmente. Essa alegação provocou esse anúncio antecipado?

Nick Hardwick - Não. Se o jornal sabe disso, então eles sabem mais do que eu e eu sou o responsável pela investigação. O caso será agora entregue à Promotoria. Nós ainda não decidimos exatamente o formato do relatório que nós iremos enviar para eles, então eles não podem ter decidido já quais acusações serão feitas. O que acontece é que a imprensa especula, então a gente tenta dar prá eles o máximo de informação que a gente tem, mas, obviamente, nós não podemos acabar com a especulação.

BBC Brasil – Qual será o conteúdo do relatório?

Nick Hardwick – Nós daremos uma explicação precisa sobre o que aconteceu. Quem foi responsável por quais decisões durante os eventos terríveis do dia 22 de julho. Nós, provavalmente, faremos também recomendações sobre o que pode ser feito para tentar envitar que uma tragédia semelhante aconteça. Mas essas recomendações só farão referência ao que pode ser aprendido com o que aconteceu no dia 22 de julho. Nós não faremos um relatório geral sobre como a polícia britânica lida com o problema do terrorismo. Nós achamos que deve haver um debate público mais amplo sobre isso.

BBC Brasil – O relatório trará uma lista de crimes que podem ter sido cometidos?

Nick Hardwick – Nós iremos dizer à Promotoria quais assuntos precisam ser analisados, mas os promotores é quem decidirão se algum crime foi cometido e quem está envolvido. Essa é uma decisão que cabe a eles, não a nós.

BBC Brasil – Quais crimes poderão constar no relatório?

Nick Hardwick – Vários. Mas não seria justo que eu especulasse sobre isso. Como eu disse, essa não é a nossa parte, nós só iremos dizer aos promotores o que aconteceu.

BBC Brasil – Vocês falaram pessoalmente com o chefe da polícia londrina, Ian Blair, durante as investigações?

Nick Hardwick – Nós não conversamos com o senhor Ian Blair sobre esse caso. Nós ouvimos todas as pessoas que nós precisávamos ouvir para ter um quadro preciso do que aconteceu no dia 22 de julho e nós não precisávamos conversar com Ian Blair para isso.

BBC Brasil – Mas como isso é possível, já que ele é o chefe da polícia?

Nick Hardwick – Bem, nós ouvimos todas as pessoas que a gente precisava ouvir e ele não era uma delas.

BBC Brasil – Mas a conduta dele está sendo investigada por um outro inquérito…

Nick Hardwick – Bem, houve uma outra queixa…O que as pessoas querem saber é como Jean Charles de Menezes morreu e porque e o que pode ser feito para evitar que isso se repita. Esse é o principal para nós. A família de Jean Charles fez uma outra queixa sobre o que foi dito depois da morte de Jean Charles, prá saber se alguém fez alguma declaração falsa. Nós vamos investigar essa queixa como nós investigamos qualquer outra queixa, não importa sobre quem a queixa se refere. O fato de que nós estamos investigando não significa que nós chegamos a alguma conclusão (sobre o comportamento de Ian Blair).

BBC Brasil – Mas soa estranho que Ian Blair, como chefe da polícia londrina, não tenha sido ouvido pessoalmente…

Nick Hardwick– Não é estranho. Nós lidamos com muitos casos envolvendo mortes por conta da ação da polícia e nós nem sempre conversamos com o chefe do grupo envolvido sobre o que aconteceu. O que nós fazemos é que nós tentamos descobrir como nós podemos obter a informação que precisamos prá descobrir o que aconteceu e porque. E eu estou muito confiante que as pessoas irão perceber que nós descobrimos a verdade e que nós estamos explicando o que aconteceu.

BBC Brasil – Mas essa era uma operação especial, não? A operação antiterrorismo envolve os níveis mais altos de comando.

Nick Hardwick - O que eu posso dizer…é que eu não sinto, e eu não me preocupo em ser criticado quando as pessoas souberem exatamente o resultado do nosso trabalho. Eu estou confiante que nós descobrimos o que aconteceu e porque. Eu estou confiante que nós conversamos com as pessoas precisávamos para responder às perguntas que todo mundo tem. Eu acho que as pessoas têm que ser pacientes enquanto o processo legal continua. Eu seu que é demorado e que isso é frustrante, é frustrante prá nós também, mas é assim que as coisas devem acontecer, o processo deve ser justo, imparcial, independente e profissional… Isso é o que as pessoas querem e é isso o que elas vão receber de nós.

BBC Brasil – Quanto tempo irá levar até que o segundo inquérito, sobre a conduta de Ian Blair, seja concluído?

Nick Hardwick – Nós estamos ainda bem no início da investigação, então não podemos dizer quando ela será concluída. E nós dizemos prá família que seria assim, que o principal é o inquérito sobre as circumstâncias da morte de Jean Charles. Então, eu não posso dizer quanto tempo levará.

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