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Atualizado às: 02 de dezembro, 2005 - 08h28 GMT (06h28 Brasília)
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Cassação de Dirceu fortalece sistema político do Brasil, dizem brasilianistas

José Dirceu (foto: Marcello Casal/Agência Brasil)
Maxwell reconheceu que queda de Dirceu é "gravíssima" para o governo
Para o cientista político e um dos principais brasilianistas da atualidade, Kenneth Maxwell, da Universidade de Harvard, a cassação do deputado e ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, é prejudicial para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas fortalece o sistema político brasileiro.

"A queda de Dirceu é um problema gravíssimo para este governo, mas a democracia brasileira sai fortalecida", disse Maxwell à BBC Brasil após uma palestra a estudantes da Universidade Johns Hopkins, em Washington, cujo tema foi "Lula, o PT e o Futuro da Democracia Brasileira".

O especialista acredita que nem mesmo um possível impeachment do presidente Lula seria capaz de provocar uma crise regimental no país.

"Mesmo que a crise do governo chegue até as últimas conseqüências e o presidente Lula caia, os outros governos estaduais e locais vão continuar seguindo o seu curso. O país não vai parar por causa disso”, disse.

Outro brasilianista, o professor Riordan Roett, diretor do Programa de Hemisfério Ocidental da Universidade Johns Hopkins, também participou do evento e concordou que a cassação de José Dirceu tenha sido positiva para a democracia brasileira.

Assim como o ministro Antonio Palocci, Roett acredita que foi a crise política a responsável pela queda do PIB brasileiro no terceiro trimestre, e não o aperto monetário conduzido pelo Banco Central.

"Obviamente, além da crise política interna, há outros fatores internacionais que também contribuíram para a queda do desempenho da economia", disse.

"Conspiratória"

Kenneth Maxwell diz que um olhar histórico sobre os acontecimentos políticos no Brasil revela elementos de natureza de certa forma "conspiratória".

Ele explica que sempre quando as reformas estão avançando no Brasil e causam algum impacto, alguma coisa acontece e impede o aprofundamento do processo reformista.

"É curioso olhar para a história do Brasil e ver que quando as reformas chegam até certo ponto… bingo! Acontece uma crise. E o resultado disso, todo mundo já conhece: as atenções se voltam para a crise e nada mais avança", alerta.

"É o que eu chamo de uma espécie de 'conspiração do sistema', não necessariamente de pessoas. É um problema da continuidade da história brasileira, que é uma história em que as reformas são muito difíceis de serem alcançadas."

Instabilidade regional

Até agora este foi o ano mais difícil do ponto de vista político para o mandato do presidente Lula, acredita Maxwell. E, de acordo com as previsões do especialista, a tendência é de que 2006 seja ainda pior e não só para o Brasil, mas para a América Latina como um todo.

"Em 2006, teremos 11 eleições presidenciais na região. E em uma situação como essa, é difícil ver os governos tomando decisões duras para enfrentar crise social, econômica e política”, disse.

O resultado seria justamente uma onda de instabilidade política na região.

"E o Brasil, que até agora era um país razoavelmente estável neste aspecto, ao entrar em uma temporada de eleições, corre o risco de se meter um pouco nesta crise política da região."

Miopia

Kenneth Maxwell diz que acha que "a região está mudando, mas os Estados Unidos parecem não entender isso", afirma.

Para ele, não existe "uma" América Latina, mas várias realidades dentro de um mesmo continente. Esta seria justamente a dificuldade que os Estados Unidos encontram para entender e se relacionar com a região.

Dificuldade que, segundo ele, acabou levando o Brasil a adotar uma política externa mais proativa nos últimos anos.

"O Brasil está lá, agindo como um grande país que tem grandes ambições. O país cresceu, mas os políticos ainda não acordaram para isso."

Amigos

A amizade de Lula e Bush pode ser constatada na última visita que o mandatário americano fez ao Brasil durante o mês de outubro.

Kenneth Maxwell acredita que tal proximidade é positiva, mas que chegou tarde.

"É uma amizade que nasceu do desespero, de um momento em que ambos enfrentavam crises políticas sem precedentes em seus governos", afirmou.

Ele considera que agora o desafio será reverter esta aparente proximidade em uma cooperação mais concreta entre os dois países.

66José Dirceu
Para brasilianista, cassação pode ser útil para futuro de Lula.
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