|
Para mercado, impacto de eleição de Aldo é pequeno | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Apesar de considerado um passo positivo para a solução da crise política no Brasil, a eleição do candidato do governo, Aldo Rebelo (PC do B-SP), para a presidência da Câmara dos Deputados não deve ter um grande impacto nos mercados financeiros, na avaliação de analistas consultados pela BBC Brasil. “Sem dúvida, o fato de a eleição definir as coisas é um passo na direção correta”, disse Wilber Colmerauer, diretor da corretora Liabilities Solutions, de Londres. “O fato de ser alguém apoiado pelo governo mostra que o governo acordou para a crise, mas é somente um item a menos na lista de problemas”, diz. Para Colmerauer, a maioria dos investidores internacionais não está tão preocupada com os aspectos políticos na hora de decidir sobre possíveis investimentos no Brasil. “O mercado hoje presta atenção mais nos aspectos econômicos, e o Brasil se posiciona bem atualmente nesta questão. O lado político não pesa tanto atualmente, até porque a crise atual tem aspectos locais fortes, de difícil entendimento para quem é de fora”, avalia. Colmerauer crê que o fato de um governista ter sido eleito não deve alterar as expectativas dos investidores sobre a aprovação de possíveis reformas pelo Congresso. “Faltando um ano para a eleição, ninguém espera mais grandes coisas deste governo em termos de reforma”, diz. “O Congresso há muito tempo está paralisado pela crise e deve continuar assim. Já existe um entendimento no mercado de que estamos em fim de governo, em fim de jogo”, afirma. Fim de governo Avaliação semelhante foi feita por Nuno Câmara, responsável pela área da América Latina do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein (DRKW), em Nova York. Para ele, ninguém no mercado financeiro espera que, em fim de governo, grandes reformas sejam aprovadas pela Câmara. Segundo ele, a maior preocupação era quanto à possibilidade de a atual crise política poder levar ao afastamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou à mudança de rumos da política econômica. “Com a eleição de um presidente da Câmara da base do governo, estas possibilidades se tornam mais remotas e os demais ruídos políticos passam a ter menos impacto na avaliação dos investidores”, diz. Em sua avaliação, a eleição de Aldo Rebelo teve um impacto positivo para a queda do EMBI Brasil, o indicador de risco de crédito divulgado pelo banco JP Morgan. Às 13h55 desta quinta-feira em Brasília, o rico-país do Brasil estava em 347, uma queda de 12 pontos em relação ao fechamento do dia anterior. O nível do indicador era o mais baixo desde outubro de 1997. Cada ponto do risco-país significa um prêmio de 0,01 ponto percentual nos créditos tomados pelo país em relação aos juros dos títulos americanos, considerados os de menor risco. Risco Para Roger Scher, diretor da agência de avaliação de risco Fitch Ratings, a vitória de Aldo Rebelo “é uma vitória para o governo”. “Se ele continuar leal a Lula, o governo pode assumir um controle sobre a pauta do Congresso e evitar eventuais processos de impeachment contra o presidente ou outros membros de sua base de apoio”, diz. Numa conferência no início da semana, o diretor do escritório brasileiro da Fitch, Rafael Guedes, havia afirmado que a crise política estava impedindo a melhora da avaliação de risco do Brasil pela agência. Roger Scher diz que “é cedo para dizer” se o resultado da eleição na Câmara poderá levar à melhora da nota brasileira pela Fitch no curto prazo. “Precisamos verificar como será a evolução das votações no Congresso, se o governo conseguirá, por exemplo, aprovar o Orçamento de 2006 sem grandes alterações”, diz. Para ele, a economia brasileira vem apresentando vários pontos positivos que atraem os investidores, como a melhora na balança de pagamentos, o crescimento das exportações e o controle da inflação. Por outro lado, ele considera que há vários pontos negativos no campo político, mas adverte que eles podem não ter um impacto tão negativo na avaliação dos investidores nem são uma exclusividade do Brasil. “Essas coisas acontecem em vários países”, diz ele, citando o indiciamento, na quarta-feira, do líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes dos EUA, Tom DeLay, por “conspiração criminosa”, por supostas irregularidades no esquema de contribuições para a campanha eleitoral de 2002. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||