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Palocci cobra ajuste dos países ricos e diz que isso não é 'difícil' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse neste sábado em Washington que chegou a vez de os países desenvolvidos fazerem o seu próprio ajuste, a fim de acabar com desequilíbrios que ameaçam o bom desempenho da economia mundial, e afirmou que isso não é difícil. “Dizendo muito honestamente, eu não acredito que estes desequilíbrios sejam difíceis de ser ajustados”, disse o ministro durante uma entrevista ao final da reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional). “Eles estão presentes em economias de grande porte, que têm capacidade de fazer este nivel de ajustes sem trauma.” Antes, ao discursar no Comitê Monetário e Financeiro Internacional do FMI, Palocci havia dito que o déficit em conta corrente nos Estados Unidos e a escalada dos preços do petróleo podem colocar em risco os ganhos já obtidos pelos países em desenvolvimento. Turbulências Palocci disse não acreditar que os desequilíbrios do balanço de conta corrente nos países desenvolvidos, em especial nos Estados Unidos, sejam difíceis de ser ajustados, ainda que, a princípio, possam trazer “turbulências” para a economia mundial, principalmente nos paises emergentes. Entre as possíveis “turbulências”, destacou uma piora nas taxas de juros e a elevação da taxa de risco. Mas o resultado final seria justamente um ambiente econômico mais seguro para os investidores, que traria de volta os bons rumos da economia, segundo Palocci. Ele lembrou quando o Federal Reserve (o banco central americano) iniciou, há um ano e meio, sua campanha de aumento gradual na taxa de juros básica nos Estados Unidos. “Naquela ocasião, houve processo de elevação de juros, e a economia brasileira, assim como as economias de outros emergentes, sofreu um certo abalo.” “Mas, logo depois, e até hoje, as coisas só melhoraram.” Déficit dos EUA Durante seu discurso, o principal alvo de Palocci foi o déficit americano. Para o ministro, o problema é que a sustentabilidade do gigantesco déficit americano depende de seu financiamento pelos países geradores de poupança, principalmente pelos da Ásia. Palocci criticou a maneira como os Estados Unidos estão conduzindo este problema. "Apesar de haver um consenso sobre os remédios para esse desequílibrio e esses riscos, este consenso de análise não está se traduzindo em mudanças suficientemente fortes nas políticas." O ministro disse que a aplicação desses "remédios" exige algo que é difícil, mas necessário: uma seqüência adequada e coordenada nas políticas macroeconômicas. Palocci explicou que a defesa dos países emergentes contra uma piora da economia mundial tem o objetivo de reduzir as vulnerabilidades externas. Somente desta maneira é que seria possível estes países darem continuidade a suas políticas fortes nos planos fiscal e monetário, acumular reservas e procurar ampliar a produtividade através de reformas estruturais. Reformas no FMI O ministro da Fazenda defendeu a presença de um Fundo Monetário Internacional forte. Para isso, Palocci insistiu que a instituição precisa se tornar mais representativa e, ainda, que precisa estar preparada financeiramente para apoiar este processo de ajuste. "O papel a ser desempenhado pelo FMI no futuro próximo depende desta capacidade (de ajuste)", disse. Ele elogiou o relatório elaborado pelo diretor-gerente do Fundo Monetário, Rodrigo de Rato, que destaca os principais pontos das reformas necessárias a serem implementadas no órgão. Entre eles, intrumentos preventivos, a questão das cotas e o monitoramento de todas as economias. Doha Antonio Palocci disse que a sustentabilidade do crescimento global depende de avanços concretos na rodada de liberalização comercial dentro da Organização Mundial do Comércio (Rodada de Doha). A próxima reunião ministerial da OMC acontece em dezembro, em Hong Kong. Mas ele acrescentou que tal liberalização deve ocorrer de forma ordenada. "As diferentes iniciativas que os países em desenvolvimento estão apresentando não estão recebendo as respostas adequadas em matéria de redução do protecionismo agrícola nos países mais desenvolvidos", criticou. |
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