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França privilegia interesses de curto prazo, diz Amorim | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, criticou a pressão que a França exerce na União Européia para impedir que negociações para a reforma do comércio agrícola ampliem o acesso de países em desenvolvimento aos mercados europeus. “Eles (os franceses) estão colocando interesses de curto prazo específicos na frente de algo que é importante para o futuro das relações econômicas internacionais e do desenvolvimento dos povos”, disse Amorim, em entrevista à BBC em Brasília. Nesta sexta-feira, o ministro participa em Genebra de mais uma reunião informal entre negociadores da OMC (Organização Mundial do Comércio), provavelmente a última antes do encontro ministerial da entidade em Hong Kong, no próximo dia 13. Amorim reafirmou a tese de que a agricultura é “a locomotiva” da Rodada Doha, negociação lançada pela OMC em 2001 para promover a liberalização do comércio mundial. E, na opinião do ministro, o sucesso das negociações só será possível se a União Européia fizer algum movimento que abra caminho para a redução dos níveis de apoio e proteção que o bloco europeu concede a seus produtores agrícolas. “A União Européia não fez o que prometeu, não fez o que diz que está fazendo”, reclamou Amorim. “Ela não fez uma oferta significativa de acesso a mercados.” "Nada de espetacular" Ao comentar a reunião desta sexta-feira em Genebra, o ministro das Relações Exteriores deu sinais de que chega para o encontro com poucas expectativas. “Não se pode esperar nada de espetacular nesta semana porque os europeus foram muito claros em dizer que não farão uma segunda oferta”, comentou Amorim. “Então, se eles não fizerem uma segunda oferta, nada ocorrerá do ponto de vista de avanço das negociações.” Para o chanceler brasileiro, os encontros informais que têm ocorrido na Suíça, assim como a própria reunião em Hong Kong, servem para “preparar o caminho” para avanços depois da conferência ministerial da OMC. Mas o ministro diz acreditar que mesmo um acordo sobre um programa de trabalho para a conclusão da Rodada Doha vai exigir “grande vontade política” dos países envolvidos nas negociações. “Não creio que se vá chegar a isso somente com trabalhos técnicos e cálculos”, afirmou. “Alguns países vão ter que admitir mais do que admitiram até agora.” Subsídios Amorim também comentou as recentes declarações do comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, que tem criticado a atuação do Brasil nas negociações comerciais. Em uma de suas críticas, Mandelson disse que Brasil e Estados Unidos precisam ser mais realistas e afirmou que a proposta européia está “no limite do que é socialmente tolerável na Europa”. Questionado sobre essa afirmação do comissário europeu, Celso Amorim disse que poderia falar apenas da posição brasileira e que não poderia julgar o que é aceitável ou não na Europa. “O que não é aceitável no Brasil é ter uma outra rodada apenas para legitimar subsídios em uma escala muito grande que vão continuar a beneficiar produtores ineficientes em países ricos”, afirmou o chanceler. |
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