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Atualizado às: 07 de novembro, 2005 - 12h49 GMT (10h49 Brasília)
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Mandelson diz que Brasil emperra acordo comercial
Ceifeira
UE fez proposta de cortes 'sem precedentes', diz Mandelson
O comissário de comércio europeu Peter Mandelson acusou países como o Brasil, Estados Unidos, e Austrália de impedir avanços nas negociações por um comércio global mais justo, antes de mais uma rodada de conversas nesta segunda-feira em Londres, na Grã-Bretanha.

Em entrevista à BBC, Mandelson afirmou que a União Européia fez propostas "sem precedentes" em relação a cortes de subsídios agrícolas e taxas alfandegárias para tentar chegar a um acordo.

No final de outubro, o bloco ofereceu cortes de até 60% nas tarifas mais altas de importação agrícola, mas Brasil e Estados Unidos consideraram a proposta decepcionante.

"O problema é que, até o momento, a rodada foi desviada do foco principal por exportadores agrícolas muito agressivos - os Estados Unidos, o Brasil e a Austrália - países que, na minha opinião, têm interesses que não coincidem com os interesses de um grande número de países em desenvolvimento, para os quais esta rodada deveria estar funcionando", afirmou o comissário.

Segundo Peter Mandelson, um acordo nesta rodada de conversas representaria uma injeção anual entre 100 e 300 bilhões de dólares na economia global, o que ajudaria vários países pobres e em desenvolvimento a crescer.

Oposição francesa

O objetivo do encontro de representantes da área de comércio de Índia, Brasil, Japão, Estados Unidos e União Européia é fechar um acordo de flexibilização comercial antes da cúpula da Organização Mundial do Comércio, marcada para dezembro em Hong Kong.

O comissário de comércio europeu também enfrenta oposição dentro do próprio bloco: a França afirma que o cargo de Mandelson não dá a ele o direito de oferecer cortes nos subsídios e impostos sobre produtos agrícolas nas negociações.

"Os franceses tendem a se colocar numa posição defensiva e conservadora quando o assunto são rodadas de comércio. Mas, nós vamos administrar isso, porque estamos trabalhando de acordo com o mandato concedido a nós pelos países-membros da União Européia", afirmou Mandelson à BBC.

"O governo francês não tem o direito de veto em relação às propostas que a comissão faz e as táticas de negociação que eu emprego."

Depois das conversas desta segunda-feira, os representantes dos países que participam da rodada voltam a se encontrar em Genebra na terça e quarta-feira.

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