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Reunião sobre Doha termina sem avanço | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A reunião ministerial entre Brasil, Índia, Estados Unidos e União Européia, que ocorreu em Londres nesta segunda-feira, terminou sem avanços e com o que aparentou ser um desentendimento entre o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e o comissário de Comércio europeu, Peter Mandelson. Após mais de seis horas de encontro, todos os negociadores se disseram satisfeitos com o fato de, pela primeira vez, terem discutido outras modalidades da Rodada Doha, isto é, produtos não-agrícolas (Nama, na sigla em inglês) e serviços. Mas, ao ser questionado por um jornalista sobre o que tinha achado do movimento do Brasil nas novas questões, Mandelson riu e disse: "Não discutimos nem a proposta da União Européia quanto mais a do Brasil. Esse país..." Nesse momento, o ministro indiano Kamal Nath interrompeu pedindo que fossem abordadas apenas questões gerais e não específicas de algum país. Após a reunião, o ministro Amorim disse: "Não houve movimentos, mas, sim, idéias. Todos concordamos que temos que trabalhar em todas as modalidades. Concordamos que não vamos baixar o nível das ambições da Rodada. Se necessário nós podemos baixar a expectativa para Hong Kong. Ao invés de fazer dois terços fazemos só metade da Rodada". Khamal se apressou para dizer que "a expectativa para Hong Kong não era a expectativa para Doha". No fim da entrevista coletiva, Amorim saiu da sala demonstrando descontentamento. Mandelson então abordou Amorim, e os dois foram conversar sozinhos por alguns minutos afastados poucos metros dos jornalistas. Momentos depois, já fora da Embaixada da Índia, onde a reunião foi realizada, o europeu disse que Amorim tinha "uma personalidade forte" e afirmou que o fato de querer avanços das demais modalidades, fora agricultura, "não é uma ameaça". 'Ingênuo' Apesar desse episódio, os negociadores disseram que a conversa em Londres foi produtiva. O ministro Amorim disse que foi uma "discussão útil" para o "entendimento do que é possível fazer em outras áreas, especialmente Nama, se (ele fez questão de frisar o 'se') algo acontecer em agricultura". Segundo ele, não houve discussão suficiente em agricultura: "Não há convergência sobre as demais áreas, mas concordo que as discussões prepararam o terreno para mais análises em outras áreas. Mas não quero soar ingênuo ou que a imprensa fale em teatro diplomático ou comédia - ainda há muitas diferenças". Os negociadores voltam a se reunir nesta terça-feira em Genebra em um grupo ampliado de ministros. |
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