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Violinos amarelos em funeral | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O samba dizia que Vila Isabel vestia luto e, pelas esquinas, o cantor ouvia violões em funeral. Muito justo. A referência era à morte de Noel Rosa. Noel, por sua vez, compusera para o carnaval de 1933 Fita Amarela, que, na gravação de Chico Alves e Mário Reis, dizia, “Quando eu morrer/Não quero choro nem vela/Quero uma fita amarela/Gravada com o nome dela”. Naquela época, no Brasil, morria-se, não digo bem, mas ao menos poeticamente. Hoje, não sei dizer. Os poucos enterros, funerais, exéquias, seja lá que nome se dê (nunca entendi a diferença), a que compareci eram tristes, tediosos, e sempre flagrei alguém forçando a barra no setor de perda e sofrimento. Funeral, enterro, exéquias, coisa e tal, aqui na Grã-Bretanha, são, como tudo mais, fortemente influenciados pelo teatro. O que é bom. Não há nada de errado nisso. O bota-fora definitivo deve ser o mais marcante possível, dentro dos limites do bom gosto e da dignidade. Quem viu aquele filme dos quatro enterros e um casamento pegou uma idéia de como funciona a coisa. Hino, salmo, discurso, poesia, música escolhida pelo falecido. Hino, salmo e poesia, não sei, mas música, acabam de dar uma parada de sucessos por aqui. Na frente, disparada, em capelas e crematórios, a voz imperecível de Frank Sinatra, que, por falar nisso, neste mês de novembro estaria fazendo 90 anos. O Frank Sinatra de My Way, aquela musica original do francês Claude François, Comme d´Habitude, a que o Paul Anka deu letra em inglês e entregou aos cuidados de Francis Albert. Atenção para outros menos votados: Bette Midler, Robbie Williams (conhecem?), Vera Lynn (idem), Tina Turner e – ai, meu Senhor! – Céline Dion com aquela “música”, digamos assim, do Titanic (cá entre nós, assim melhor mesmo é continuar vivo). Eu, quando bater com as dez, não quero enterro, funeral, exéquias, préstito fúnebre ou sepultamento. Peço apenas que, em algum lugar, bem longe de mim, um debochado ou debochada taque uma fita amarela amarrada na testa e, em praia afastada, pegue um jacaré (surfe, não) e desça na onda assobiando qualquer coisa de Noel ou do repertório do Sinatra – menos My Way. |
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