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Lula diz que só discute Alca depois de reunião da OMC | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não é possível discutir a Área de Livre Comércio das Américas, a Alca, antes da reunião da Organização Mundial do Comércio, OMC, em dezembro, em Hong Kong. Lula deixou claro que o Mercosul não pretende ficar de fora de uma integração deste tipo, mas insistiu que antes será preciso derrubar os subsídios agrícolas nos países ricos. O presidente também mandou um recado ao colega da Venezuela, Hugo Chávez, que na véspera liderara um protesto contra a IV Cúpula das Américas, a chamada "Contra-Cúpula". "Eu nem sabia que existia", disse Lula, que chegou a ser criticado por não participar dos protestos. Chávez foi recebido sob aplausos na reunião paralela, também realizada em Mar del Plata, mas minutos depois, segundo diplomatas e imagens mostradas à imprensa por circuito interno de televisão, foi recebido com frieza na abertura da reunião dos chefes de estado e de governo. Isolamento Numa entrevista à imprensa brasileira, pouco antes de embarcar de volta para Brasília, neste sábado, Lula descartou que o Mercosul corra riscos de ficar isolado, caso seja concretizada a sugestão do presidente mexicano, Vicente Fox. Na sexta-feira, Fox disse que a Alca poderia ser formada sem o bloco, já que os outros 29 países das Américas – à exceção de Cuba – concordam com a definição de prazos para sua realização. "Primeiro, acho que como país soberano, o México tem o direito de fazer o que bem entende", disse Lula. "Nós estamos preocupados em discutir uma política de livre comércio no mundo inteiro, na medida em que os países desenvolvidos abram mão dos subsídios agrícolas que têm penalizado os países pobres", insistiu. O presidente lembrou que falta pouco para a reunião ministerial da chamada Rodada de Doha, da OMC, que será realizada no mês que vem, em Hong Kong. Ao mesmo tempo, disse, falta pouco para o entendimento do Mercosul com a União Européia e com os Estados Unidos. "Então, qualquer coisa que fizermos agora, antes dessa reunião da OMC, estaremos atropelando os fatos e, quem sabe, criando empecilhos para a própria OMC", ressaltou. Livre comércio Segundo o presidente, é preciso respeitar as assimetrias para que o livre comércio não termine prejudicando os países mais pobres. Para Lula, a região vive hoje uma era de crescimento econômico e é preciso manter as economias estáveis, com política industrial e de desenvolvimento, além de política de comércio exterior. Só assim, mais fortalecidos, os países latinos poderão conversar, em melhores condições, para se tentar chegar a acordos com os países desenvolvidos, disse o presidente. "Tivemos no Brasil praticamente vinte e dois anos ou de estagnação ou de crescimento medíocre. Isso gerou milhões de desempregados e déficit (público). E agora estamos recuperando isso". Lula afirmou não acreditar que a IV Cúpula das Américas acabou em fracasso, apesar da falta de entendimento sobre a Alca. "Quando eu fui convidado para essa reunião, tínhamos três temas a serem discutidos: emprego, emprego e emprego. Ninguém disse, em nenhum momento, que o tema seria Alca." Lula acredita que é preciso dar um passo de cada vez e tentou fazer uma comparação: "Toda vez que a gente permite que a perna esquerda bata na direita ou a direita na esquerda, a gente termina caindo e não consegue (andar). Nós queremos dar passos importantes para resolver o problema na OMC". |
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