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Amorim diz que Brasil 'não tem alergia à Alca' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta sexta-feira que o Brasil não tem "alergia" à Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Em resposta ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ele afirmou que a IV Cúpula das Américas, que começou nesta sexta-feira em Mar del Plata, na Argentina, não pretende "enterrar ou ressuscitar" o bloco. Celso Amorim também respondeu ao presidente do México, Vicente Fox, ao declarar que, se "os outros países quiserem fazer uma área de livre comércio entre eles, o problema é deles". O primeiro dia da Cúpula foi marcado pelas declarações de Hugo Chávez ao dizer, na chamada "Contra-Cúpula", que o encontro em Mar del Plata servirá para "enterrar" a Alca. Pouco antes, o presidente mexicano afirmara à imprensa que 29 países pretendem concretizar a área de livre comércio e que, desta forma, a Alca poderia existir sem o Mercosul e a Venezuela. Reação Em entrevista na tarde desta sexta-feira, o ministro brasileiro insistiu que o Mercosul está negociando o que é "importante" para o bloco. "Acho que se perseguíssemos o acordo quatro mais um (Mercosul e Estados Unidos) com mais afinco, teríamos mais condições até de construir a Alca", disse ele. "Mas construir a Alca a partir de uma base real, e não apenas voluntarista." Ao ser perguntado se seria possível uma Alca sem o Mercosul, Amorim respondeu: "Falar em fazer Alca sem o Mercosul me faz lembrar aquela frase do político inglês que diz que tinha nevoeiro no Canal da Mancha e que o continente estava isolado". A frase de Celso Amorim foi interpretada como uma indireta para os demais países do continente, dizendo que o bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai não ficaria isolado caso exista uma Alca sem a participação deles. O chanceler ressaltou que essa não é uma Cúpula apenas sobre a Área de Livre Comércio das Américas, mas sobre integração e trabalho decente para combater a pobreza e favorecer a estabilidade democrática. "O comércio tem um papel importante, mas a Alca não é o tema central." Para o chanceler, não é possível discutir seriamente a Alca enquanto não forem definidas questões específicas na Organização Mundial do Comércio (OMC), como os subsídios agrícolas – o item mais criticado pelos países do Mercosul em relação à política americana. "Vamos tirar o dramatismo desta discussão", disse. "Nós poderíamos concordar e colocar qualquer data para a implementação da Alca. Mas qual a vantagem, além do desgaste? Não temos nenhum preconceito com essa integração comercial, mas não queremos colocar no papel só porque fica bonito." As declarações do ministro provocaram risos na imprensa estrangeira. O chanceler disse que, se não houver consenso entre os presidentes sobre a Alca, ela não constará do documento final. Quando jornalistas perguntaram por que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos últimos a chegar e será o primeiro a deixar a reunião, Celso Amorim afirmou: "Quando você é convidado para um coquetel às oito da noite, se você chegar às sete e meia não está mais do que suficiente?". O chanceler comentou ainda o encontro, no fim de semana, entre os presidentes Lula e George W. Bush, dos Estados Unidos, dizendo que, se for convidado, o Brasil poderá atuar como mediador entre o governo americano e o governo venezuelano. A Venezuela, diferente do Mercosul, não quer sequer negociar a área de livre comércio, dizendo que ela nasce morta. |
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