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Atualizado às: 27 de outubro, 2005 - 19h09 GMT (16h09 Brasília)
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Desistência de indicada para Suprema Corte atinge Bush

Harriet Miers e George W. Bush
Miers era uma escolha muito pessoal do presidente americano
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, vive um dos momentos mais embaraçosos de sua carreira no momento em que enfrenta uma montanha de outros problemas.

A falta de experiência de Harriet Miers como juíza e alegações de que ela não é suficientemente conservadora levaram a críticas cada vez mais intensas a sua escolha, por Bush, para fazer parte da Suprema Corte americana.

As críticas se originaram sobretudo de integrantes da ala mais à direita do Partido Republicano.

Já havia semanas que estava claro que a indicação enfrentava problemas. Grupos vinham fazendo intenso lobby contra o nome de Miers, alegações de favoritismo se tornaram mais audíveis e audiências no Senado americano transcorreram de forma insatisfatória.

Mas o fato de a candidatura de Miers ter sido retirada surpreendeu analistas, pois o foco neste instante está no caso do vazamento da identidade de uma agente da CIA que ameaça afundar dois importantes auxiliares de Bush.

O Partido Democrata, que faz oposição ao presidente, não precisou levantar um dedo para criar a turbulência que agora envolve a Casa Branca.

Escolha pessoal

A decisão tomada por Miers de sair de cena está sendo vista como uma tentativa de reduzir desgastes, em meio à constatação de que o apoio para a sua candidatura simplesmente não existia – nem mesmo na base conservadora do presidente.

Desde que a indicação de Miers foi anunciada, republicanos que esperavam com ansiedade a oportunidade de sair em apoio a um juiz conservador, que fosse linha-dura em questões sociais e tivesse um histórico claro de decisões contra o aborto e os direitos dos homossexuais, se sentiram traídos, de acordo com analistas.

O problema, segundo jornalistas que seguem de perto o movimento republicano, é que a falta de evidências claras sobre as posições de Miers sobre temas como o aborto, a pena de morte e os direitos dos homossexuais enfraqueceu a sua candidatura.

Miers era uma escolha muito pessoal de Bush.

Ela tem sido uma auxiliar próxima do presidente há muitos anos, e o fracasso de sua indicação será visto como um golpe pessoal contra ele.

Aliado com a redução do apoio popular à guerra no Iraque e os baixos níveis de popularidade do presidente, já há quem veja este revés como "um momento de definição" para Bush.

Comentaristas políticos têm sugerido que o governo Bush está enfraquecido e que ele pode esperar contestações em medidas polêmicas no futuro.

Mas a retirada da candidatura de Miers dá ao presidente a oportunidade para indicar um conservador de perfil mais forte, com qualificações impecáveis e um histórico claro de decisões judiciais, capaz de recuperar apoio no seio de seu partido.

Um Partido Republicano novamente coeso habilitaria Bush a evitar o destino que acomete muitos presidentes americanos em seu segundo o mandato – de se tornar um líder irrelevante.

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