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Análise: Vulnerável, Bush se defende agora de ataques pela direita | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
George W. Bush chegou ao poder com a promessa de unificar e não de dividir os americanos. Mas o presidente é uma figura que polariza. Basta ver que ele tem apoio de mais de 80% dos eleitores republicanos e menos de 15% dos democratas. Nos últimos dias, no entanto, Bush conseguiu uma proeza: dividir até os conservadores. A base eleitoral talvez agüente o tranco de desilusão com o presidente, mas no núcleo ideológico alguns influentes setores estão assumidamente decepcionados e até irritados com o suposto líder de uma revolução conservadora. A gota d'água da decepção foi a indicação de Harriet Miers, conselheira legal da Casa Branca e confidente do presidente, para a vaga aberta na Corte Suprema. Para William Kristol, editor da revista Weekly Standard, farol do pensamento neoconservador, Bush capitulou ao não escolher um jurista com impecáveis credenciais conservadoras. Para a ácida página editorial do Wall Street Journal, a escolha reflete a fraqueza política do presidente, preocupado com a confirmação de sua indicada em um Senado onde os republicanos têm maioria. Ao longo da semana, o presidente e seus principais assessores precisaram se defender, preocupados em reassegurar a base que as chamas conservadoras não estão apagando. O vice-presidente Dick Cheney fez romaria pelos talk-shows ultraconservadores no rádio num esforço para convencer os devotos que Bush não traiu a causa. Nos bastidores, tem sido uma barragem de telefonemas e e-mails para conservadores influentes para que eles abandonem o ceticismo sobre Harriet Miers. Mesmo assim o desapontamento segue palpável. "Desperdício" Comentaristas conservadores insistem que Bush desperdiçou uma oportunidade histórica para pender de forma resoluta a balança judicial para a direita. Bush a rigor é visto como um desperdício por algumas alas do movimento conservador. As razões se acumularam e são variadas. Conservadores econômicos estão alarmados com a folia fiscal do governo, que deve ser agravada com a conta da reconstrução dos furacões Katrina e Rita. Mais do que um conservador, Bush é visto como um entusiasmado adepto de um governo inchado e ineficiente. Há crescentes denúncias de que a Casa Branca preza muito mais a lealdade do que a competência. A indicação de Harriet Miers seria apenas mais uma capítulo em uma saga de nepotismo. A farra de lobistas republicanos reforça este alarmismo e o indiciamento do ex-líder republicano na Câmara, Tom Delay, por irregularidades no financiamento de campanha eleitoral, não ajuda a limpar a imagem governista. Já em política externa, republicanos tradicionais se sentem mais à vontade para criticar o que consideram delírios neoconservadores para reformar o mundo. As fragilidades republicanas em princípio oferecem oportunidades invejáveis para os democratas. Mas se Bush está desperdiçando o seu capital político, isto não garante que a oposição esteja automaticamente acumulando o seu. Os democratas estão divididos. Basta ver que sua delegação no Senado rachou exatamente ao meio na aprovação de John Roberts para presidir a Corte Suprema. Os líderes do partido no Congresso, senador Harry Reid e deputada Nancy Pelosi, primam pela cautela. Há uma retórica interminável sobre a "cultura de corrupção" dos republicanos, mas os democratas carecem de uma clara proposta alternativa. Ativistas de grupo como Moveon.org querem arrastar o partido para a esquerda enquanto a família Clinton quer fincá-lo no centro. Os republicanos estão perdendo as guerras instantâneas de opinião pública, mas nada assegura que democratas obtenham maioria no Congresso nas eleições do ano que vem. Alguns setores conservadores estão decepcionados com Bush. O país está desencantado em geral com a classe política. |
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