BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 22 de outubro, 2005 - 06h06 GMT (03h06 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Kirchner diz que eleição legislativa será 'plebiscito'

Kirchner
Kirchner tem apoio popular, mas quer mais força no Congresso
O presidente argentino, Nestor Kirchner, disse que a eleição legislativa deste domingo, quando serão renovados os mandatos de metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado, funcionará como um "plebiscito" sobre o seu governo.

Kirchner fez um apelo ainda mais dramático aos eleitores argentinos na quinta-feira, último dia da campanha. Em diferentes entrevistas às emissoras de rádio, disse que é um "pingüim do sul", que veio de um lugar pequeno, em referência a Santa Cruz, na Patagônia, e por isso pede "ajuda" e uma "oportunidade para o país".

Analistas como Roberto Bacman e Graciela Römer entendem a estratégia de Kirchner como uma tentativa de ratificar o apoio popular que possui, já que foi eleito com apenas 22% dos votos, quando seu concorrente, o ex-presidente Carlos Menem, desistiu do segundo turno em 2003.

"Uma coisa é popularidade alta, que ele tem, a outra é poder real, que o presidente pretende conquistar com essa eleição", disse Römer. Kirchner, segundo ela, precisa reiterar, pelo voto, que tem também apoio no Congresso Nacional.

Peronismo

Embora o presidente pertença ao Partido Justicialista, que tem maioria no Congresso, há fortes divisões entre os próprios peronistas – como são chamados os integrantes do partido.

Para o analista político Roberto Bacman, a estratégia presidencial inclui também a decisão de controlar o peronismo.

"As pesquisas de opinião indicam que os candidatos oficiais vão fazer uma boa eleição e, dependendo desse percentual de vitória, os que agora não estão com ele poderão apoiar as suas medidas no Parlamento", afirmou.

Bacman observou que nos últimos tempos o presidente transformou atos do governo em campanha nacional. "Ele atuou como se fosse um supercandidato e, nesse contexto, a tendência é que o oficialismo vença nos vários distritos e, principalmente, na província de Buenos Aires."

Atualmente a média da popularidade nacional do presidente é de 75%, mas esse percentual varia, chegando a superar os 80% no interior e limitando-se a 50% na capital federal, onde o candidato de Kirchner, o chanceler Rafael Bielsa, perderia para o presidente do clube de futebol Boca Juniors, Maurício Macri.

Buenos Aires

O resultado na província de Buenos Aires, que representa cerca de 40% do país, é considerado o mais importante. Disputam uma cadeira pelo Senado a ex-primeira-dama Hilda Chiche de Duhalde, mulher do ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003), e a primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner.

Como o regime é de listas, os analistas entendem que as duas vão ser eleitas e levarão vários candidatos com elas. Mas essa vitória, diz Bacman, definirá o poder de Kirchner dentro e fora do peronismo.

"As pesquisas de opinião mostram que Cristina (Kirchner) deverá ganhar votos dos peronistas, dos que jamais tinham votado no peronismo e dos que estão votando pela primeira vez na vida", disse ele.

Cristina é a principal candidata do movimento partidário, batizado por Kirchner de "Frente para a Vitória", e uma espécie de braço de centro-esquerda, como dizem governistas, do próprio Partido Justicialista.

'Cristismo'

Esse avanço eleitoral de Cristina – que venceria a principal concorrente, Chiche Duhalde, por cerca de 15% a 20% dos votos, dependendo da pesquisa – está levando alguns analistas a falarem no nascimento do "cristismo", movimento ligado diretamente a ela e não ao marido, autor do "kirchnerismo".

Mas para Bacman, o "cristismo" só seria confirmado, ou não, nas próximas eleições, as presidenciais em 2007. Até lá a grande pergunta será, quem vai ser o candidato a presidente, ela ou ele?

No seu último comício, na quinta-feira, Cristina elogiou a gestão do presidente, que a observava de perto, no mesmo palanque. Em outros discursos, ela denunciou uma "conspiração" contra o governo e chamou os outros candidatos de "mafiosos".

Chiche reagiu, dizendo que Cristina e as outras candidatas, como Elisa Carrió, que disputa vaga pela capital federal, fizeram campanhas "tipicamente masculinas".

Chiche afirmou que as mulheres não devem ser "violentas, agressivas e ofensivas como os homens".

A ex-primeira dama, candidata pelo Partido Justicialista, ainda repetiu, sem dizer o nome de sua principal concorrente, que algumas destas senhoras "chegaram à política graças aos maridos", mas que preferem mostrar-se "independentes", e que ela mesma não tem problemas em dizer que é a "senhora de" Duhalde.

Essas disputas parecem ter contribuído, na opinião de analistas, para a apatia do eleitor e o temor de um aumento na abstenção na consulta deste domingo.

66Armas de fogo
Confira especial da BBC com a situação em outros países.
66Corrupção
Especial mostra escala do problema em outros países.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade