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Atualizado às: 03 de junho, 2005 - 01h22 GMT (22h22 Brasília)
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Com novos títulos da dívida, Argentina sai da moratória

Néstor Kirchner
Kirchner chegou a anunciar que 76% dos credores tinham aceitado novos títulos com descontos
O governo da Argentina anunciou que o país saiu oficialmente da moratória em que se meteu em dezembro de 2001, ao terminar de reestruturar a sua dívida, e agora há uma expectativa de que atraia novos investimentos de médio e longo prazo.

O fim da moratória de cerca de US$ 80 bilhões veio a partir de nota distribuída pelo Ministério da Economia, dizendo que começou a entregar, nessa quinta-feira, os novos títulos da dívida argentina, em substituição aos anteriores cujo pagamento tinha sido suspenso.

Em fevereiro desse ano, o presidente Néstor Kirchner chegou a anunciar que 76% dos credores tinham aceitado receber os novos títulos com descontos de cerca de 70%. Dias mais tarde, uma disputa judicial, no Tribunal de Nova York, travou a entrega dos novos bônus.

Tinha sido, assim, adiada a solução para a moratória, adotada logo depois da queda do presidente Fernando de la Rúa, há três anos e três meses.

"Fim do calote"

Para analistas do mercado financeiro, como o economista Mariano Flores Vidal, da consultoria IBCP, agora, com a entrega dos novos papéis, chega ao fim o maior calote da história do capitalismo. “Ainda existem US$ 24 bilhões daqueles investidores que não aceitaram a troca de títulos com os descontos”, lembrou. “Mas como a classificadora de risco país, Standard&Poor`s, informou que mudou a nota destes títulos, tirando o país da situação de moratória, o mercado financeiro entendeu, assim como o governo, que ela chegou ao final”.

Tecnicamente, porém, aquela parte da dívida ainda não paga continua em moratória, segundo os especialistas. Ela representa menos de 30% do total que o governo está solucionando junto aos credores.

A partir de agora, os títulos públicos da Argentina, segundo a classificadora de risco, passaram a ter a mesma nota que a Bolívia e o Paraguai, por exemplo.

Essas notas representam o risco de investir ou não num país e serve de termômetro, principalmente, para os donos dos grandes capitais. Mas as perspectivas para a economia argentina são positivas, na opinião de economistas como Guillermo Calvo, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, e o ex-presidente do Banco Central, Mario Blejer, que participaram, nesta semana, na capital argentina, de um seminário mundial sobre finanças.

“Se as perspectivas continuarem favoráveis e com os atuais resultados fiscais que o país registra (superávit e arrecadação recordes), será mais fácil abrir caminho para a reativação dos investimentos estratégicos. Aqueles que daqui não sairam, mas esperavam clima melhor para voltar a colocar dinheiro, como os setores de serviços”, disse Mariano.

Para ele, novos investimentos de longo prazo ainda vão demorar. “O coquetel de sucesso para a retomada destes capitais seria o governo começar a rever os preços das tarifas dos serviçoes públicos privatizados e congelados desde a desvalorização do peso, em 2002. Mas num ano de eleições legislativas, isso não acontecerá”, afirmou.

Capitais especulativos

Para outros economistas, como Aldo Pignanelli, ex-presidente do Banco Central, o perigo é o aumento da entrada de capitais especulativos – aqueles que chegam apenas em busca dos rendimentos dos títulos públicos e escapam quando a situação volta a ser instável.

Segundo o próprio governo, duplicou a entrada desses fundos entre o último trimestre do ano passado e o primeiro desse ano. “Eles estão de olho nos rendimentos dos novos títulos da dívida do governo no mercado futuro”, resumiu o economista Leonardo Chialva, da consultoria Delphos Investment.

Para evitar a chegada desses capitais de curto prazo, o Ministério da Economia adotou medidas como a ampliação de seis meses para um ano para a permanência destes recursos no país.

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