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Atualizado às: 25 de maio, 2005 - 08h10 GMT (05h10 Brasília)
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Estabilidade faz Kirchner completar dois anos em alta, diz analista

Néstor Kirchner
Índice de aprovação de Kirchner é de 79%
O presidente argentino, Néstor Kirchner, completa nesta quarta-feira dois anos de governo com índices de popularidade ainda altos e quase inalterados.

Em relação a maio de 2003, houve apenas uma queda de menos de 1%, segundo dados divulgados no início desta semana pelo Centro de Estudos de Opinião Pública (Ceop).

O cientista político Roberto Bacman, do CEOP, disse à BBC Brasil que o índice de imagem positiva do presidente argentino é de 79%, um dos maiores da América Latina.

Bacman destaca que a popularidade de Kirchner reside na estabilidade econômica. E que dela, afirma, depende a governabilidade do país.

Mas, curiosamente, segundo ele, a pesquisa revelou ao mesmo tempo que o desemprego, a insegurança pública e a situação do ensino ainda são as maiores preocupações dos argentinos. Exatamente como há dez anos.

Bacman explica que o que mudou nos argentinos desde que Kirchner assumiu o poder foi a “esperança”.

'Força'

Para a maioria dos entrevistados na pesquisa, o presidente demonstra capacidade para solucionar os problemas econômicos e sociais do país, segundo o cientista político.

“O que para as classes altas é excessivo, com o presidente se metendo nas decisões da Justiça, buscando disputas com o Brasil ou outros países, brigando com empresários e desafiando o FMI, para as classes mais humildes e do interior e para os jovens merecem aprovação”, disse ele.

Para as classes altas e os formadores de opinião, esse estilo – conhecido como “estilo K” – não contribui para a imagem da Argentina no exterior.

Mas para os mais carentes e os mais jovens, Kirchner demonstra que tem força para resolver seus problemas.

A cinco meses das eleições legislativas, a população, diz Bacman, está preocupada ainda – em menor medida - com as ameaças da volta da inflação e os protestos setoriais por melhorias salariais.

Mas, se a economia correr algum risco, ameaçará, ressalta ele, imediatamente, a imagem do presidente e a governabilidade do país.

“O poder desse presidente está muito baseado na estratégia econômica que ele traçou, como as duras negociações que ele mesmo levou adiante da dívida que estava em moratória, apesar de contrariar as opiniões dos principais economistas do país”, disse.

“É um jeito, repito, que gera confiança num setor, mas não agrada a outro porque vê nele um presidente paternalista e com um estilo que ameaça a imagem das instituições”, afirmou Bacman.

Novidade para peronistas

Na visão dos cidadãos de baixa renda, segundo Bacman, Kirchner é um presidente com “forte presença” e que “participa diretamente” dos problemas nacionais.

Esse entendimento, afirma, serve para que a figura presidencial recupere credibilidade frente a seus antecessores.

O ex-presidente Eduardo Duhalde, que lhe passou a faixa presidencial, era visto como “transitório” e Fernando de la Rúa, como “frágil”. De la Rúa terminou seu mandato com menos de 15% de popularidade.

Hoje, o índice positivo da imagem de Kirchner é 79%, e de seu governo, 63%, uma novidade para um governo peronista, do Partido Justicialista.

Tanto Duhalde quanto o ex-presidente Carlos Menem, que governou a Argentina durante dez anos, tiveram pior imagem que seus governos.

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