|
Argentina emite primeiros títulos em dólar desde crise | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo argentino colocou no mercado nesta segunda-feira os primeiros títulos da dívida do país em dólar desde a crise financeira de 2001, com a expectativa de obter US$ 500 milhões. O nível de adesão dará ao governo uma idéia do estado de ânimo dos investidores em relação à sua política econômica. Não só é a primeira emissão em moeda americana, como se trata de uma oferta regida pela legislação argentina, o que é considerado mais arriscado pelos investidores. "Esta emissão de dívida é um teste que, se for bem-sucedido, abrirá portas ao governo para que paulatinamente o país vá regressando aos mercados internacionais", disse à BBC o economista da Universidade de Palermo, Daniel Seva. Peso em baixa Daniel Seva diz acreditar que essa oferta terá um alto nível de aceitação por parte de investidores argentinos e estrangeiros porque oferece uma oportunidade de obter liquidez muito rapidamente. "A Argentina está num bom momento para emitir dívida. São títulos que oferecem alto rendimento e que em agosto já pagarão juros e capital", afirma. A colocação da dívida em moeda estrangeira também permite ao governo sustentar a cotação do peso baixa em relação ao dólar, o que beneficia as exportações e, por extensão, o Estado. Os analistas concordam que a razão pela qual a Argentina está voltando a emitir títulos da sua dívida em dólares, e sob a legislação argentina, é porque a sua imagem aos olhos da comunidade financeira internacional melhorou nos últimos meses. Isso de deve, segundo Daniel Seva, quase exclusivamente ao fato de o governo ter conseguido uma alta taxa de adesão ao esquema de trocar títulos cujo pagamento tinha sido suspenso por novos títulos da dívida argentina. "Houve uma mudança de ânimo dos investidores desde a saída (da Argentina) do default ", diz Seva, acrescentando que também houve uma melhora nos indicadores econômicos do país. De fato, o risco país da Argentina (que reflete o nível de "perigo" que um país representa para investidores estrangeiros) está em cerca de 400 pontos, similar ao do Brasil. Nos piores momentos da crise esse indicador chegou a 4 mil pontos. O governo argentino se empenha agora na negociação de um novo acordo con o Fundo Monetário Internacional (FMI). Espera-se que uma missão do Ministério da Economia do país viaje a Washington nesta semana para discussões com o Fundo. A Argentina precisa de um acordo para refinanciar uma dívida que tem com o próprio Fundo, de mais de US$ 10 bilhões. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||