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Atualizado às: 18 de outubro, 2005 - 21h22 GMT (18h22 Brasília)
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Justiça paraguaia investiga venda de armas a traficantes

Arma
Fronteira com o Brasil é uma das áreas de preocupação
Traficantes de diferentes países estariam pagando de US$ 3 mil a US$ 4 mil a militares paraguaios em troca de armas de guerra dos quartéis. Dezenas de militares, a maioria de baixa patente, estão presos, acusados do delito.

As informações estão na Justiça do país, como antecipou à BBC Brasil, pelo telefone, o tenente-coronel José Jiménez, da Direção de Material Bélico do Paraguai (Dimabel).

Ele diz que esse é um dos maiores desafios da região na área de segurança. E para evitar novos desvios, a cúpula das Forças Armadas, contou ele, determinou que os armamentos, especialmente os fuzis, fabricados no Leste Europeu, e cobiçados pelos criminosos, fiquem trancados num depósito. Nos quartéis, agora, só mesmo as armas indispensáveis.

Essa é uma das medidas que o Paraguai vem tomando para colocar um freio nos negócios ilegais, na tentativa de também melhorar sua imagem, após anos de acusações de facilitar o contrabando e a venda de armas.

Armas para turistas

Nos últimos meses, o governo passou a colocar em prática uma lei, aprovada em 2002 e só regulamentada recentemente, que proíbe a venda de armas de fogo, munições e explosivos aos turistas estrangeiros e pessoas em trânsito.

Antes desta lei, lembrou o coronel paraguaio, o Poder Executivo autorizava a venda de duas armas de fogo para cada turista.

"Muitos brasileiros que iam a Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil, aproveitavam e compravam mais de duas, já que as lojas não eram controladas e a venda, praticamente liberada", disse ele.

"Além disso, a venda ou tráfico de armas do Paraguai para o Brasil, ou vice-versa, já não é mais como antes. Vem diminuindo bastante", afirmou.

Ainda não existem estatísticas confiáveis sobre estes avanços, mas foi formada uma comissão bilateral com militares e civis do Brasil e do Paraguai, que inclui ainda a Polícia Federal, para combater o comércio ilegal.

Em fevereiro passado, numa batida policial, afirmou o militar, foram encontrados 250 revólveres à venda, ilegalmente, nas lojas de Ciudad del Este, do outro lado da fronteira com Foz de Iguaçu. Pelo menos 80% eram de fabricação brasileira.

Desarmamento

Com a ajuda das Nações Unidas e de ONGs, como a Anistia Internacional, foi formada uma comissão para tentar "desarmar" o país, como contou Rosalía Vega, diretora-executiva da Anistia no Paraguai.

"Armas e granadas que tinham passado pelo Paraguai foram encontradas nas favelas brasileiras. É a prova de que esse é um problema transnacional", disse ela. "Por isso, precisamos de leis e regras comuns na região".

O coronel diz que o tráfico de armas não respeita fronteiras.

Para Rosalía, um dos pontos fracos da região é a Tríplice Fronteira, onde ainda passariam contrabandos. Ela lembrou que existem mais de 1 milhão de armas com os civis paraguaios e que apenas 317 mil estão registradas.

O vice-ministro de Segurança do Paraguai, Mario Satriza Nunes, lembra que o país de 6 milhões de habitantes não tem fábricas de armas e conta com 14 mil policiais. Um déficit de cerca de 500 homens.

Mas essa é só uma parte do problema. "Fala-se muito em Ciudad del Este, mas lá aumentamos os controles policiais e de alfândega. O problema é que temos 500 km de fronteira terrestre com o Brasil e o comércio ilegal pode estar passando por outros lugares, difíceis de controlar".

Para o analista político Francisco Capli, o Paraguai está se esforçando, pela primeira vez, para fazer a sua parte. "Aqui a percepção é de que o contrabando de armas vem diminuindo, a partir do maior controle policial. Existe uma onda no Paraguai de ordem e de se tentar melhorar a imagem do país", disse.

"Além disso, corrupção e contrabando são como tango. Precisa-se de dois para dançar", afirma. Pelo jeito, o Paraguai não quer só limpar sua imagem. Mas mostrar que não está sozinho nessa dança.

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