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Atualizado às: 18 de outubro, 2005 - 12h41 GMT (09h41 Brasília)
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Referendo não muda situação de armas no Brasil, diz americano

Armas
Especialista defende mais armas, e não menos
O economista John Lott Jr., autor de vários livros defendendo o uso de armas pela população civil, acha que, se o referendo de domingo aprovar a proibição da venda de armas e de munições no Brasil, a situação vai mudar pouco.

"Na prática já existe uma proibição virtual, porque é muito difícil conseguir autorização para ter uma arma. Não acho que vai fazer uma grande diferença", afirma, lembrando que apenas 3,5% da população tem armas de fogo.

Lott, que também é especialista da American Enterprise Institute, um grupo de estudos de linha conservadora de Washington, lamenta que o país queira restringir ainda mais a venda de armas. "Gostaria que estivesse caminhando na outra direção, tornando mais fácil o acesso dos pobres às armas, em vez de proibir", disse ele.

Ele argumenta que pela lei atual o porte de arma é caro e inacessível aos mais pobres, que poderiam se beneficiar mais da autodefesa.

Lott diz que, além do maior policiamento e de penas mais rígidas, a possibilidade de a própria pessoa se proteger também ajuda a deter o crime.

"Quando você proíbe as armas, está basicamente tirando as armas das pessoas que estão dentro da lei e não dos criminosos. Em vez de aumentar a segurança, está aumentando o crime, porque os criminosos não precisam se preocupar muito quando vão atacar as pessoas", diz ele.

A situação ideal, afirma, é que polícia fosse capaz de proteger toda a população. Mas "como isso não é possível é preciso dar chance para que as pessoa se defendam".

"Ouvi dizer que no Brasil a pessoa tem que esperar 15, 20 minutos para que uma emergência seja atendida mesmo numa área urbana. Não dá para pedir para que a pessoa fique lá passivamente esperando", afirma.

Lott tem um argumento contrário ao da maioria dos especialistas, que vêem uma relação entre desarmamento e taxas baixas de homicídio.

Num polêmico livro lançado no fim dos anos 90, More Guns, Less Crime (Mais Armas, Menos Crime), Lott argumenta que a possibilidade de reação da vítima desestimula o bandido a cometer o crime, porque o criminoso acha que "não vale a pena" correr o risco.

Ele foi criticado por alguns especialistas que disseram que ele usou estatísticas e comparações sem rigor científico.

Mais recentemente, Lott lançou The Bias Against Guns (O Preconceito contra Armas), no qual afirma que a imprensa dá muito destaque a crimes cometidos com armas de fogo, mas fala pouco sobre o uso defensivo de armas.

No Brasil, se a proibição for aprovada, Lott diz que os mais ricos vão contratar guarda-costas e viver em condomínios fechados. "Minha preocupação é com os mais pobres. Eles são os que se beneficiam da autorização para ter armas", argumenta.

Lott diz que parte da razão pela qual o Brasil tem uma criminalidade de cinco a seis vezes maior do que a americana é porque a população brasileira é menos armada. Ele acredita que o Brasil tem outros problemas também, como uma polícia ineficiente e mal treinada, além de taxas de encarceramento baixas comparadas a outros países.

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