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Investimentos externos no Brasil crescem 79% em 2004

Corretores no pregão da BM&F, em São Paulo
Retomada do crescimento ajudou a atrair investimentos estrangeiros
Após quatro anos seguidos de queda, o Brasil recebeu no ano passado 79% mais investimentos estrangeiros diretos do que em 2003, de acordo com um relatório da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) divulgado nesta quinta-feira.

Segundo o relatório, os investimentos externos no Brasil chegaram em 2004 a US$ 18,2 bilhões, contra US$ 10,1 bilhões no ano anterior.

O Brasil foi o 10º maior receptor de investimentos estrangeiros diretos no mundo e o 1º na América Latina, à frente do México, que recebeu US$ 16,6 bilhões no período – um aumento de 46% em relação ao ano anterior.

Brasil e México juntos receberam mais da metade dos investimentos destinados à América Latina e ao Caribe em 2004 – 27% e 25% do total, respectivamente.

A Argentina, que havia sofrido uma forte queda nos investimentos externos após a crise financeira e política de 2001, teve o maior aumento no fluxo de investimentos estrangeiros em 2004 na América Latina – 125% em relação a 2003.

Os investimentos estrangeiros diretos na América Latina e no Caribe como um todo aumentaram 44% de 2003 a 2004. As exceções foram Venezuela, Bolívia e Equador, por causa da instabilidade política e das incertezas em relação ao setor de gás e petróleo.

Retomada do crescimento

De acordo com a Unctad, o aumento dos investimentos externos na região ocorreu principalmente por conta da retomada do crescimento econômico após anos de estagnação.

Investimento externo no Brasil (em US$ bilhões)
2000 – 32,8
2001 – 22,5
2002 – 16,6
2003 – 10,1
2004 – 18,2
Fonte: World Investment Report 2005 (Unctad)
Além disso, no cenário internacional, o aumento da procura por commodities decorrente do crescimento econômico global incentivou os investimentos estrangeiros nos setores exportadores dos países produtores.

Apesar disso, o setor industrial foi o que mais recebeu investimentos tanto no Brasil como no México.

Por outro lado o setor de serviços, que havia recebido a maioria dos investimentos estrangeiros diretos no período das privatizações dos serviços públicos nos anos 1990, continuou perdendo investimentos no ano passado, segundo o relatório.

A expectativa da Unctad para 2005 é que os investimentos estrangeiros diretos para a América Latina continuem subindo, já que os principais fatores que levaram à expansão de 2004 continuam inalterados.

De acordo com o relatório, outro fator que deve ajudar no aumento dos investimentos estrangeiros na América Latina e no Caribe é a crescente demanda chinesa por matérias-primas.

O Brasil também foi o país da região com o maior fluxo de saída de investimentos diretos para o exterior – US$ 9,5 bilhões de um total de US$ 11 bilhões. Os investimentos externos originados na America Latina em geral mantiveram o mesmo nível do ano anterior.

Nível baixo

Investimentos externos no mundo (maiores receptores globais de investimento – em US$ bilhões)
EUA – 95,9
Reino Unido – 78,4
China – 60,6
Luxemburgo – 57,0
Austrália – 42,6
Bélgica – 34,4
Hong Kong (China) – 34,0
França – 24,3
Espanha – 18,4
Brasil – 18,2
Fonte: World Investment Report 2005 (Unctad)
Para o economista Simão Silber, professor da Universidade de São Paulo e pesquisador da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), apesar de ser positivo, o aumento nos investimentos estrangeiros no Brasil em 2004 acontece a partir de um nível muito baixo, após as seguidas quedas nos anos anteriores.

“Esta é uma recuperação a partir de um nível baixíssimo. Mesmo com o aumento, o total de investimentos não chega à metade do que era ao final da década passada”, disse ele à BBC. “Estamos apenas nos recuperando de uma barrigada.”

Para Silber, o aumento ocorre apesar dos problemas crônicos da economia brasileira que afastam investidores, como a alta carga tributária, a falta de um marco regulatório adequado para garantir segurança jurídica aos investimentos estrangeiros e a falta de investimentos em infra-estrutura.

Ainda assim, ele considera que as vantagens que o país oferece para o investimento externo, tais como a localização geográfica estratégica e o baixo custo de mão-de-obra, são atrativos para o capital estrangeiro.

Em sua avaliação, a atual crise política e os escândalos de corrupção não devem alterar o quadro de recuperação do nível de investimentos estrangeiros para o Brasil. “A crise é conjuntural, e os investidores estrangeiros não olham para isso, somente para o quadro mais no longo prazo”, diz.

Para Silber, a turbulência política no Brasil ainda é muito menor do que em outros países da América Latina.

Aumento global

Em termos globais, houve um aumento de 2% no fluxo anual de investimentos no ano passado, graças principalmente ao aumento de 40% nos investimentos destinados aos países em desenvolvimento, que chegaram a US$ 233 bilhões no ano passado.

O nível maior de investimentos nos países em desenvolvimento compensou uma queda de 14% nos investimentos estrangeiros nos países desenvolvidos, que receberam US$ 380 bilhões em 2004.

O Brasil foi o segundo país em desenvolvimento que mais recebeu investimentos estrangeiros em 2004, atrás somente da China, que recebeu US$ 60,6 bilhões, além dos US$ 34 bilhões destinados a Hong Kong, relacionados separadamente no relatório da Unctad.

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