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Atualizado às: 25 de agosto, 2005 - 07h51 GMT (04h51 Brasília)
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Ao pedir por sua morte, teleevangélico ajuda Chavez

Pat Robertson
Robertson disse que matar Chávez seria mais barato do que lançar guerra
Se o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, realmente tivesse espírito esportivo e vontade de expressar gratidão, ele convidaria o lendário e freqüentemente bizarro teleevangelista americano Pat Robertson para falar na sua nova rede de televisão, a Telesur.

Robertson prestou um grande favor a Chávez quando na segunda-feira, no seu programa de televisão, o The 700 Club, sugeriu que o presidente venezuelano fosse assassinado na medida em que isto seria mais barato do que lançar uma guerra para derrubá-lo.

O apresentador botou lenha na fogueira venezuelana e se queimou. Ele começou a quarta-feira dizendo que a imprensa distorcera suas palavras. Mentira. Está tudo gravado. Ele falou em assassinato de Hugo Chávez. Robertson terminou o dia pedindo desculpas por sua sugestão homicida, mas não apagou o incêndio.

O disparate foi um favor porque reforçou a imagem de Chávez na América Latina como um popular foco de antiamericanismo. Como o seu grande aliado continental, o cubano Fidel Castro, o presidente venezuelano se exulta com as ameaças vindas dos EUA, reais ou imaginárias.

As autoridades de Washington se distanciaram protocolarmente das declarações de Robertson, mas não chegaram a expressar indignação em relação a um líder religioso e político que já teve dias mais influentes, embora reflita valores e posições de uma importante base de sustentação do governo republicano. Basta lembrar que nas últimas eleições nove em dez evangélicos brancos votaram em George W. Bush.

Se as relações entre Estados Unidos e Venezuela não estivessem tão deterioradas, as declarações de Robertson teriam sido descartadas como mais um rompante de um teleevangelista (e ex-candidato presidencial) conhecido por seus ataques controvertidos a feministas, gays, burocratas do Departamento de Estado, juízes liberais, muçulmanos ou aqueles que em geral não compartilham de sua visão das coisas.

Os comentários, no entanto, foram um combustível nas tensões entre os Estados Unidos e o país que é o quarto fornecedor estrangeiro de petróleo (mais de 10% das importações) do maior consumidor mundial de energia. Chávez tem agora mais munição para suas freqüentes denúncias de que o governo Bush quer assassiná-lo.

Como observa Eduardo Gamarra, diretor do Centro Latino-Americano e Caribenho da Universidade Internacional da Flórida, poucos latino-americanos vão diferenciar os bizarros comentários de Robertson da política agressiva da Casa Branca em relação a Hugo Chávez.

A agressividade americana tem alguns fundamentos estratégicos. Além de fazer periódicas ameaças de que irá reduzir o fornecimento aos EUA, Chávez quer vender mais petróleo para a China, aproxima-se de países como o Irã e vive em ritmo de adulação mútua com Fidel Castro. Com a crescente vulnerabilidade do presidente Lula (que o governo Bush via como uma pragmática força moderadora da nova esquerda), o presidente venezuelano tende a ocupar mais espaço continental.

Comentários bizarros para que Chávez seja assassinado refrescam a memória sobre os empenhos efetivos dos EUA para matar Fidel Castro nos anos 60 (foram pelo menos oito tentativas, de acordo com os inquéritos da Comissão Church, no Senado americano). O governo Bush, aliás, parece estar revivendo a mentalidade ideológica daqueles dias. Uma visita do secretário da Defesa Donald Rumsfeld à América do Sul na semana passada (Peru e Paraguai) carregou no jargão da Guerra Fria com as advertências sobre insurrreições esquerdistas e infiltração comunista no hemisfério patrocinadas por Hugo Chávez e Fidel Castro.

Por anos, o governo Bush ignorou Chávez (em meio a gafes como apoiar tacitamente uma tentativa de golpe contra ele em 2002), mas agora está determinado a isolá-lo no continente. Talvez seja mais fácil sem a ajuda de Pat Robertson.

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