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A Centelha de Vacaville | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os políticos não conseguiram. Nem documentaristas, nem jornalistas, nem estudantes, nem generais aposentados. Ninguém nos Estados Unidos até agora conseguiu mobilizar um movimento de protesto contra a invasão do Iraque, embora quase 60% dos americanos hoje sejam contra a guerra. Cindy Sheehan talvez consiga. Ela é uma dona de casa de 48 anos, de Vacaville, na Califórnia. O filho dela, Casey Sheeham, desde criança era um exemplo de bom comportamento e de patriotismo. Se alistou no Exército antes do 11 de setembro. Morreu no Iraque em abril de 2004. Casey tinha 24 anos e estava numa missão para salvar companheiros sob fogo. Cindy Sheeham foi recebida pelo presidente Bush, mas não se conformou. No dia 6 deste mês, armou uma barraca de protesto contra a guerra perto do rancho do presidente, em Crawford, no Texas. Hoje é o Acampamento Casey e atrai centenas de pessoas por dia. São pais que perderam filhos na guerra, veteranos, ativistas, celebridades. Joan Baez cantou domingo à noite. Cindy está em todos os noticiários e não só porque o número de americanos contra a guerra é o maior desde a invasão, quase tão alto quanto os que se opunham à guerra do Vietnã. Cindy é articulada, boa de entrevista, ótima de televisão. Além disto, está cercada de dezenas de repórteres que cobrem a Casa Branca, famintos por notícias na aridez jeca de Crawford. Cindy Sheeham diz que só quer uma audiência exclusiva com o presidente para fazer algumas perguntas. Os republicanos radicais já abriram suas baterias contra Cindy, mas ela tem um passado limpo e não é fácil desmoralizar uma mãe inconsolável que perdeu seu filho lutando numa guerra cada dia mais suspeita e menos popular. |
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