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Economia de Gaza continua ameaçada, apesar de retirada | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A retirada de Israel da Faixa de Gaza pode piorar as condições econômicas locais se questões-chave sobre barreiras comerciais não forem resolvidas. Desde o começo da intifada (o levante palestino contra a ocupação israelense), em 2000, a economia palestina vem enfrentando uma grave crise. A Faixa de Gaza, que não tem produção agrícola ou pequenas fábricas como a Cisjordânia, foi especialmente atingida pela crise. A economia de Gaza sempre dependeu dos palestinos que trabalhavam em Israel. Mas o fechamento das fronteiras, por razões de segurança, os atingiu de forma dura. De uma maneira geral, a economia palestina enfrentou uma queda de 38% na renda per capita entre 1999 e 2003. Na Faixa de Gaza, a taxa de desemprego dobrou, para 35%, nos cinco anos até 2004, enquanto na Cisjordânia a taxa é de 23%. A taxa não considera também os sub-empregados. A taxa de pobreza (pessoas vivendo com menos de US$ 2 ao dia) aumentou para 65%, o dobro da taxa na Cisjordânia. Ajuda estrangeira
A economia de Gaza foi particularmente atingida pela escalada no conflito com Israel em 2004 após uma leve recuperação em 2003. Diversas ações do Exército de Israel restringiram a movimentação pela Faixa de Gaza e bloquearam a entrada e a saída de pessoas e bens para o Egito e para Israel. Como resultado, as exportações caíram, a ajuda humanitária foi temporariamente reduzida e o número de trabalhadores cruzando as fronteiras para Israel caiu para uma média de mil ao dia, contra 6 mil no ano anterior. A retirada de Israel dos assentamentos de Gaza poderia levar a alguns ganhos modestos para a economia local, mas que devem ser vistos no contexto da economia em geral e das questões políticas que ainda não foram resolvidas. As restrições à movimentação podem ser reduzidas e pode haver a possibilidade de uma maior produção agrícola no futuro se a região conseguir atrair investimentos.
Mas o investimento em infra-estrutura portuária e no aeroporto local – que foi bombardeado pela Força Aérea de Israel e nunca reparado – ainda depende de algumas decisões-chave sobre o futuro das relações entre Israel e a ANP (Autoridade Nacional Palestina). Acordo comercial No momento, um acordo permite que os bens palestinos possam circular livremente por Israel para serem exportados. Mas Israel já sinalizou que pode abolir seu acordo de comércio em Gaza quando a ANP assumir o controle total da região. De acordo com o Banco Mundial, isso poderia prejudicar ainda mais a economia palestina, reduzir seu acesso ao mercado israelense e levar a significativas perdas de renda aduaneira para a ANP. A prometida ligação física futura entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza – que poderia reduzir esses problemas – ainda depende da resolução das preocupações de Israel com segurança. Enquanto isso, Israel está fazendo outras ações para separar as economias israelense e palestina, como a construção da barreira de segurança na Cisjordânia e os planos para interromper a emissão de permissões de trabalho para palestinos em Israel a partir de 2008. Segundo o que o Banco Mundial disse em seu relatório sobre a retirada, “não se pode esperar que uma doutrina enfática sobre a separação física e econômica encoraje o investimento privado – particularmente considerando que o potencial de recuperação da economia palestina está na reconstrução de suas ligações comerciais com Israel”. |
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