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Política de atirar para matar é inevitável, diz 'Times' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diário The Times afirma, em editorial, que a morte do brasileiro não deve comprometer a busca pelos responsáveis pelos atentados. O periódico acrescenta ainda que, tristemente, “a política de "atirar para matar é, agora, inevitável”. Segundo o jornal, a comunidade está certa em cobrar explicações da polícia pela morte do brasileiro, "mas nem a polícia nem o público podem se recuperar deste golpe até que as circunstâncias sejam examinadas". O editorial do The Times afirma que a reação à morte de Jean Charles de Menezes tem sido sensível. "A maior parte das pessoas entende as pressões sobre a polícia durante o que Ian Blair, o Comissário da Polícia Metropolitana, chamou de maior desafio operativo já enfrentado. Eles sabem que, ao lidar com extremistas suicidas, os procedimentos normais não se aplicam." Lugar errado Com a manchete, "No lugar errado, na hora errada", o britânico The Independent descreve o que ocorreu com Jean Charles de Azevedo e levanta perguntas chaves sobre o caso: "Por que a polícia seguiu um homem que não tinha nada a ver com os atentados? Por que a polícia deixou que um suspeito de ser homem-bomba entrasse em um ônibus enquanto estava sendo seguido? Por que ele correu da polícia quando foi dada a ordem de parar?" Segundo o Independent, os policiais faziam campana no prédio onde Menezes morava, cujo endereço foi encontrado em uma das mochilas das bombas não explodidas na semana passada. Quando Menezes saiu do prédio, ele vestia um casaco pesado, segundo a polícia, e, por ter aparência de estrangeiro, foi seguido. Segundo o jornal, o brasileiro não foi preso antes de entrar no ônibus porque a equipe de reforço não chegou a tempo de efetuar a prisão. O Independent disse ainda que, ao ser confrontado por policiais à paisana ele pode ter ficado com medo e fugido. "Vindo do Brasil", diz o jornal, "ele podia se sentir particularmente nervoso em relação a policiais armados". A ação da polícia foi justificada? O diário britânico The Guardian entrevistou um painel de especialistas e perguntou se é possível justificar a ação policial. John Stalker, ex-chefe da polícia de Manchester, disse que sim, em circunstâncias extremas, é justificado, quando não há alternativa. "Mas este foi, obviamente, um erro trágico." Para Mary Warnock, filósofa, "a pobre vítima obviamente entrou em pânico. Seu erro foi pular a roleta do metrô. A polícia pensou que ele estava tentando escapar". Ela diz que não pode culpar a polícia. O documentarista Peter Taylor afirma que "o caso é preocupante, não importa o quão compreensível possa ser". Para ele, houve um erro claro, que significa um golpe na campanha da polícia para encontrar os responsáveis pelos atentados. Calor Ainda sobre o brasileiro, o jornal argentino Clarín afirma, em editorial, que Jean Charles de Menezes foi morto por ter cometido "o 'pecado' de levar na pele o selo do calor do Brasil e abrigar-se mais no verão londrino", em referência ao casaco que o eletricista vestia e que foi apontado pela polícia como uma das atitudes suspeitas dele. O jornal afirma que ter corrido dos policiais à paisana que carregavam armas foi o outro "pecado", e que "assim se inaugurou a era do 'gatilho fácil' na Grã-Bretanha, que já teve orgulho de seus guardas desarmados". O editorial conclui que a luta contra o terrorismo também aterroriza o cidadão comum. Consciência coletiva Nos Estados Unidos, o New York Times traz artigo sobre como o crescimento do terrorismo suicida na Grã-Bretanha está levando os britânicos a questionar sua habilidade de sustentar a imagem de tolerantes, abertos e que não estão dispostos a sacrificar liberdades civis em nome da segurança. "A relação entre a força policial, predominantemente branca, e as minorias étnicas, enfrenta um de seus piores desafios desde o assassinato, em 1993, de Stephen Lauren, um londrino de 18 anos, de ascendência jamaicana, que levou a acusações de racismo dentro da polícia." Ainda segundo o artigo, o desafio coincide com o atual esforço da polícia de recrutar muçulmanos, em particular, para que patrulhem suas comunidades. "Esta campanha agora está ameaçada por uma desconfiança da polícia, o que prejudica os esforços antiterrorismo", diz o New York Times. |
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