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Atualizado às: 25 de julho, 2005 - 08h30 GMT (05h30 Brasília)
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Política de atirar para matar continua, diz polícia de Londres
Jean Charles de Menezes
Menezes estava indo para o trabalho quando foi morto
O chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, afirmou que a ordem de "atirar para matar com o intuito de proteger" vai continuar apesar da “tragédia”. Ele pediu desculpas pela morte de Menezes, mas defendeu seus policiais.

A mensagem foi divulgada no domingo, fazendo referência ao caso do brasileiro Jean Charles de Menezes, de 27 anos, baleado e morto por policiais à paisana que o confundiram com um homem-bomba, na sexta-feira, na estação de metrô de Stockwell, em Londres.

"O que temos que reconhecer é que as pessoas estão tomando decisões muito difíceis e que potencialmente ameaçam suas vidas de forma muito rápida. Não foi apenas um evento aleatório e, o mais importante, temos que reconhecer que ainda está ocorrendo. Alguém mais pode ser baleado, mas todas as ações têm o objetivo de fazer o que é certo", disse Blair.

"O importante é que nada é gratuito, nenhuma ação é arrogante, não há uma conspiração para atirar nas pessoas aqui."

Tiros contra a cabeça

Ian Blair disse que os policiais à paisana tinham que atirar contra a cabeça de um suspeito de ser um suicida pois um tiro em qualquer outra parte do corpo poderia disparar a suposta bomba, pois a área do peito ou tronco é a área onde os explosivos geralmente ficam.

Também no domingo, o primo de Menezes, Alex Pereira, que também mora em Londres, refez os últimos passos do primo em Stockwell, em um protesto emocionado contra sua morte.

"Desculpas não são o bastante. Acredito que a morte de meu primo foi resultado da incompetência da polícia", disse ele.

A família de Menezes está agora considerando a possibilidade de processar a polícia de Londres.

Descrevendo Menezes como "uma pessoa cheia de vida", Pereira disse que seu primo foi "vítima dos erros do governo".

O corpo do brasileiro deve ser levado de volta para o Brasil o mais rápido possível.

Nesta segunda-feira, o ministro do Exterior, Celso Amorim, vai discutir o caso em uma reunião com seu colega britânico, Jack Straw, convocada para discutir o assassinato.

'Admiração'

O ministro da Justiça britânico, Charles Clarke, disse no domingo "só ter elogios e admiração" pela maneira como a polícia cumpriu sua função no episódio que resultou na morte de Menezes.

"Foi uma tragédia para Menezes e sua família, e eu lamento profundamente o ocorrido", afirmou Clarke, em entrevista à BBC. "Mas creio que a polícia está fazendo o melhor, sob as mais impressionantes condições, para fazer julgamentos difíceis e nos proteger. Por isso, eu os parabenizo."

Clarke negou, porém, que a polícia britânica esteja instruída a "atirar para matar" em suspeitos de atividades extremistas.

"O que a polícia estabeleceu foi uma série de políticas que estão constantemente sendo adaptadas para se lidar com a ameaça de militantes suicidas", afirmou. "Nessas circunstâncias, quando acham que alguém está levando uma bomba, eles têm que decidir como agir da melhor maneira possível."

Clarke, que adiou suas férias por causa dos recentes acontecimentos em Londres, admitiu que, no caso de Menezes, houve um erro que será "lamentado para sempre".

"Gostaria que não tivéssemos que adotar essas políticas, nem que tivéssemos os militantes suicidas. Mas eles existem, e temos de encontrar maneiras de combatê-los", concluiu.

Straw

Em outra entrevista à BBC, o ministro das Relações Exteriores, Jack Straw, também enfatizou o fato de a polícia estar trabalhando sob forte pressão.

"Não vou comentar em detalhes o que ocorreu na estação de metrô, mas tenho a dizer que os policiais envolvidos – homens muito corajosos que estão agindo em nome dos cidadãos londrinos – estavam perseguindo um homem que deu a eles fortes motivos para acreditar que estava envolvido em terrorismo", disse Straw.

Straw falou na manhã de domingo por telefone com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que está em Londres.

Segundo Amorim, o ministro britânico lamentou a morte de Menezes.

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