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Malas e cuecas americanas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na vida de um expatriado como eu, há vantagens e desvantagens. Às vezes é até possível se sentir duplamente feliz ou, como agora, se sentir duplamente roubado. Aqui como aí estamos sendo enganados pelos canalhas, mas quando leio que o rombo da Previdência subiu 54%, qual é a percentagem da fraude? Há poucos anos, quando contei a uma amiga que eu tinha perdido a aposentadoria no Brasil, ela me ofereceu um plano alternativo. Bastava pagar 2.000 reais para uma pessoa num certo esquema que eu receberia 700 reais por mês o resto da vida. Foi um choque duplo. Um porque vinha de uma pessoa por quem eu poria a mão no fogo. Outro porque se ela tinha se corrompido era impossível imaginar quantos brasileiros estavam metendo as mãoes nos cofres da viúva. Esta semana, nós, moradores do estado de Nova York , levamos um tranco de bilhões de dólares. Este é o estado mais generoso do país com assistência médica para pobres, um programa chamado Medicaid. Ajuda, por ano, 4 milhões de pobres que não podem pagar por um parto ou tratar um coração enfartado. E enriquece milhares de pilantras como revelou uma investigação de mais de um ano do New York Times. O jornal descobriu uma dentista que atendeu 993 pacientes num dia. E cobrou do Estado. O diretor de uma escola mandou, num dia, 4.434 alunos fazer terapia de dicção e um médico em Brooklyn receitou quase 12 milhões de dólares de um remédio para AIDS para pessoas que não têm a doença. De quatrocentas milhões de contas que o Estado de N.Y. pagou no Medicaid ano passado só 37 pareceram suspeitas e foram investigadas pelo Estado. São dois males, mas qual é o pior? Quem rouba ou um governo que se deixa roubar? |
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