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Atualizado às: 29 de junho, 2005 - 08h02 GMT (05h02 Brasília)
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Caio Blinder: Bush insiste no curso iraquiano e pede paciência

George W. Bush durante o discurso em Fort Bragg, na Carolina do Norte
Bush se recusou a fixar data para retirada das tropas
Os corações de muitos americanos vacilam e suas mentes estão confusas. Com as crescentes dúvidas e indefinições da opinião pública sobre se compensou invadir o Iraque e se existe luz no fim do túnel, o presidente George W. Bush precisa levantar o moral da tropa civil.

O discurso à nação feito na terça-feira à noite na base militar de Fort Bragg fez parte deste empenho da Casa Branca. Para o presidente não se trata de alterar o curso da política, mas de reafirmar a mensagem.

E a mensagem foi transmitida de forma sombria, apesar da insistência de que existe a luz no fim do túnel, que, por ora, conforme o presidente admitiu, segue muito perigoso.

Não é tempo para Bush recorrer a leviandades retóricas como anunciar que a missão está cumprida no Iraque, fantasiado de piloto de avião de combate, como ele fez em maio de 2003 quando ainda havia a ilusão de uma campanha curta e incruenta no Iraque. Não há leviandade, mas há a teimosia, que Bush considera um atributo positivo.

Tudo como está

Na terça-feira, ele disse que fica tudo como está, ou seja, nada de fixar um calendário para a retirada das tropas americanas no Iraque, mas nem pensar em reforçar o contingente. Não há condições logísticas e políticas para tal.

No argumento ardiloso de Bush, aprofundar a presença militar seria assumir fantasias imperiais. Mas o plano de treinar as forças locais que eventualmente irão assumir as tarefas militares e policiais a cargo dos americanos também parece fantasioso.

Como tudo o que Bush tem a oferecer é mais do mesmo, ele precisa pedir muita paciência de um país que vacila. No domingo, o secretário de Defesa Donald Rumsfeld admitiu que a insurgência no Iraque pode durar até 12 anos. Haja paciência da parte de um país que nos últimos anos se acostumou a campanhas militares rápidas no próprio golfo Pérsico, nos Bálcãs e no Afeganistão.

Bush não tem ilusões de que possa conquistar corações e mentes daquela parcela do país que nunca marchou com ele para o Iraque. Seu alvo são alguns setores da base republicana que estão dando para trás e aqui devem ser incluídos até congressistas. Como está difícil propiciar esperança, o negócio é instilar medo.

Na terça-feira, o presidente recorreu como pôde ao ideário do 11 de Setembro, batendo na tecla que o Iraque foi uma extensão natural da chamada guerra contra o terror. Um ponto central da mensagem de Bush é que caso os inimigos não sejam derrotados na frente iraquiana, eles irão atacar dentro dos Estados Unidos.

Nem passa pela cabeça do presidente admitir que a guerra em si no Iraque reforçou esta possiblidade, na medida em que o país tenha se convertido em campo de treinamento de extremistas, como aconteceu no Afeganistão antes do 11 de Setembro.

Bush, é claro, não está pronto para alterar o grosso do curso de sua política, mas há mudanças sutis na estratégia, com mais foco em soluções políticas para combater a insurgência e pacificar o Iraque. Para isto, Bush conta com um governo iraquiano precário que se revela incapaz de seduzir a minoria sunita para o jogo político e neutralizar os bolsões engajados na luta armada.

É uma jornada árdua pela frente, que exige sangue, suor, lágrimas e a paciência cada vez mais preciosa da opinião pública americana.

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